A retocolite ulcerativa, em sua forma aguda grave, é uma emergência associada a risco elevado de colectomia e mortalidade. Os critérios clássicos de Truelove-Witts, publicados em 1955, precederam importantes avanços terapêuticos dedicados à condição, a exemplo dos corticosteroides e terapias avançadas. Diante desse cenário, o grupo REFINED-ASUC propôs critérios diagnósticos contemporâneos por meio de um consenso Delphi modificado.

Metodologia
Participaram gastroenterologistas da Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico em quatro rodadas Delphi entre 2024 e 2025, adotando consenso diante de concordância de pelo menos 70% em determinada afirmação.
Os novos critérios diagnósticos propostos
O ponto-chave do consenso foi a proposição de um modelo baseado em critérios maiores e menores.
Para pacientes já em uso de terapia avançada ou corticosteroides, o diagnóstico passa a ser sustentado pela combinação de:
| Critérios maiores (≥2) | Critérios menores (≥2) |
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PCR: Proteína C reativa; LSN: Limite superior da normalidade.
Na vigência de corticosteroides em altas doses, os limiares são reduzidos (PCR ≥ 1x LSN e sangue visível em ≥ 33% das evacuações), pois o tratamento prévio pode mascarar a atividade inflamatória. Para pacientes sem tratamento prévio, não houve consenso suficiente para definir uma combinação diagnóstica definitiva.
Investigações recomendadas
A retossigmoidoscopia flexível é útil para confirmar o diagnóstico e excluir infecção por citomegalovírus, devendo ser realizada idealmente nas primeiras 24 horas da internação, sem atrasar o início da corticoterapia intravenosa.
A imagem abdominal mantém-se importante principalmente para afastar o megacólon tóxico.
Marcadores tradicionalmente utilizados, como VHS, relação PCR/albumina, calprotectina fecal e lactoferrina, não foram incorporados como critérios diagnósticos pela ausência de consenso ou aplicabilidade prática suficiente.
O que podemos levar para a prática?
A proposição de novas definições para a retocolite ulcerativa aguda grave provavelmente representa a atualização mais relevante das últimas décadas. Reconheceu-se que pacientes previamente tratados podem apresentar inflamação grave mesmo sem preencher os limiares clássicos de Truelove-Witts. Entretanto, até que se tenha validação por estudos prospectivos, os novos critérios devem ser interpretados apenas como um instrumento de apoio ao julgamento clínico na decisão de internação e escalonamento terapêutico.
Autoria

Leandro Lima
Editor médico na Afya. Médico pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Residência em Clínica Médica e Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG - 2018). Endoscopia digestiva pela UFJF (2019). Preceptor do Serviço de Medicina Interna do Hospital Universitário da UFJF (HU-UFJF) e membro do corpo clínico do Hospital Monte Sinai desde 2019.
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