A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) afeta cerca de um terço da população adulta mundial. É necessário identificar os pacientes sob risco de fibrose avançada, submetendo-os a avaliação não invasiva (elastografia transitória ou por RM) ou invasiva (biópsia hepática), em casos de dúvida diagnóstica.
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Sabe-se que a história familiar de um parente de primeiro grau com DHGNA com fibrose avançada é muito relevante. Estratégias de estratificação de risco baseada em história clínica e escores prognósticos são importantes a nível populacional, visto a limitação dos testes diagnósticos.
Dessa forma, um estudo recente publicado um estudo que propões um escore de risco simples para pacientes com parentes de primeiro grau com DHGNA com fibrose avançada.
Métodos do estudo sobre DHGNA
Trata-se de um estudo transversal e prospectivo, incluindo 242 indivíduos e seus familiares de primeiro grau, através de duas coortes — Califórnia (derivação) e Finlândia (validação), com o objetivo primário de propor um escore de risco simples, através de parâmetros clínicos para detectar DHGNA com fibrose avançada entre parentes de primeiro grau de indivíduos com DHGNA, sem outras causas de hepatopatia, submetidos a avaliação de fibrose hepática.
Coorte da Califórnia (derivação) recrutou indivíduos entre 2011 e 2021, incluindo:
- 66 indivíduos com DHGNA com fibrose avançada.
- 17 indivíduos com DHGNA sem fibrose avançada.
- 73 indivíduos sem DHGNA.
Coorte da Finlândia (validação) recrutou indivíduos entre 2017 e 2021, incluindo:
- 21 indivíduos com DHGNA com fibrose avançada.
- 19 indivíduos com DHGNA sem fibrose avançada.
- 46 indivíduos sem DHGNA.
Os indivíduos recrutados e seus familiares de primeiro grau foram submetidos a história clínica padronizada, medidas antropométricas, exame físico, bioquímica hepática, avaliação de outras causas de hepatopatia ou esteatose hepática e avaliação de fibrose e esteatose (a maioria através de elastografia por ressonância).
Resultados
Ao todo, 396 parentes de primeiro grau foram avaliados, sendo 64% do sexo feminino, sendo 220 na coorte derivação e 176 na coorte validação, com mediana de idade de 47 anos e de IMC de 27,6 kg/m².
Observou-se maior prevalência de DHGNA com fibrose avançada entre parentes de primeiro grau de indivíduos com fibrose avançada. Além disso, foram identificados outros fatores de risco, como idade acima de 50 anos, obesidade e presença de DM2.
Foi proposto um escore, com ponto de corte igual ou acima de quatro pontos:
Variável | Pontuação |
História familiar de dhgna com fibrose avançada | 2 pontos |
Obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) | 2 pontos |
Idade ≥ 50 anos | 1 ponto |
Diabetes tipo 2 | 1 ponto |
Esse escore foi denominado escore de risco familiar, com área sob a curva para detectar fibrose avançada de 0,94, maior que o FIB 4 (AUC 0,70) com p=0,02.
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Mensagens práticas
O escore de risco familiar é uma ferramenta simples e promissora na identificação de risco de fibrose avançada em pacientes com parentes de primeiro grau com fibrose avançada, apesar de ainda requerer maior validação.
Trata-se de um escore que conta apenas com dados clínicos, podendo selecionar pacientes que devem ser submetidos a método de imagem para avaliação de fibrose avançada.
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