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Endocrinologia2 fevereiro 2026

Tratamento farmacológico da obesidade: novidades a caminho!

Artigo publicado na JAMA aponta a perspectiva de três novas opções terapêuticas com possível aprovação em 2026, como formulações injetáveis de maior potência e opções orais.

O tratamento farmacológico da obesidade vive um momento de rápida expansão, impulsionado principalmente pelos agonistas do receptor de GLP-1 e por combinações hormonais inovadoras. Artigo publicado na revista JAMA aponta a perspectiva de três novas opções terapêuticas com possível aprovação em 2026, incluindo formulações injetáveis de maior potência e opções orais, ampliando o arsenal terapêutico e trazendo maior flexibilidade para a prática clínica. Esse movimento ocorre em consonância com diretrizes internacionais, que reforçam que essas medicações devem ser utilizadas em conjunto com intervenções comportamentais, como dieta saudável e atividade física. 

Entre os novos agentes em destaque está o orforglipron, um agonista do receptor de GLP-1 administrado por via oral e quimicamente distinto das formulações peptídicas tradicionais. Diferentemente da semaglutida oral atualmente disponível, o orforglipron pode ser ingerido com ou sem alimentos, o que representa uma vantagem prática relevante. Em estudo de fase 3 com adultos com obesidade sem diabetes, a perda média de peso variou entre 7,5% e 11%, dependendo da dose, com perfil de eventos adversos predominantemente gastrointestinal, semelhante ao observado com outros agonistas de GLP-1.

Outra estratégia avaliada recentemente é o uso de semaglutida em dose elevada (7,2 mg), administrada semanalmente por via subcutânea. Ensaios clínicos demonstraram que essa dose promoveu perda ponderal média próxima de 19%, superando a eficácia da dose atualmente aprovada de 2,4 mg. Embora a tolerabilidade global tenha sido comparável, observou-se maior frequência de eventos adversos, incluindo sintomas gastrointestinais e disestesia, reforçando a necessidade de individualização da escolha terapêutica. 

A combinação de cagrilintida (um análogo da amilina) com semaglutida, conhecida como CagriSema, representa uma abordagem fisiologicamente complementar, atuando tanto na saciedade quanto no esvaziamento gástrico. Em estudos de fase 3, essa associação resultou em perda média de aproximadamente 20% do peso corporal, superior à obtida com cada fármaco isoladamente. No entanto, taxas mais elevadas de eventos adversos levantam discussões sobre o equilíbrio entre eficácia máxima e tolerabilidade clínica . 

Por fim, merece destaque a semaglutida oral na dose de 25 mg, recentemente aprovada nos Estados Unidos para o tratamento da obesidade, mas ainda não disponível no Brasil. Essa formulação demonstrou eficácia superior às doses orais previamente utilizadas, aproximando-se dos resultados observados com a semaglutida injetável, embora mantenha as particularidades de administração em jejum. Sua aprovação sinaliza uma tendência clara de expansão das opções orais de alta eficácia, o que pode representar um avanço significativo para pacientes que preferem evitar terapias injetáveis, aguardando-se agora a avaliação regulatória por outras agências, como a ANVISA. 

Um ponto central destacado pelos especialistas é que a escolha do tratamento não deve se basear exclusivamente na magnitude da perda de peso. Fatores como presença de comorbidades associadas à obesidade, resposta precoce ao tratamento, perfil de efeitos adversos e custo continuam sendo determinantes na decisão clínica. Além disso, a obesidade é cada vez mais reconhecida como uma doença crônica baseada na adiposidade, cujo manejo visa não apenas redução ponderal, mas também prevenção de desfechos cardiovasculares, metabólicos e hepáticos. 

Autoria

Foto de Luciano de França Albuquerque

Luciano de França Albuquerque

Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco • Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro – BA • Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE • Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia • Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

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