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Endocrinologia24 fevereiro 2025

Tirzepatida e o Controle Cardiometabólico no DM2

A tirzepatida, destaque no Cardiopapers Experience 2024, mostrou eficácia no controle glicêmico e perda de peso em pacientes com DM2, superando a semaglutida em estudos.
Por Lucas Lentini

No dia 02 de novembro de 2024, ocorreu o Cardiopapers Experience, um evento com diversas palestras sobre o universo da cardiologia. Uma dessas aulas foi a apresentação sobre a tirzepatida e seu papel no controle cardiometabólico de pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2).

A tirzepatida é uma droga com efeito duplo, pois é uma agonista do GLP-1 e uma agonista do receptor de GIP. Isso se traduz em aumento da secreção de insulina e redução dos níveis de glucagon, de maneira dependente da glicose [1]. Sua ação ocorre em diferentes sistemas, levando à redução do apetite, aumento da secreção e sensibilidade à insulina, redução da secreção de glucagon, retardamento do esvaziamento gástrico, entre outros [2,3,4].

A apresentação iniciou-se com importantes dados sobre o controle do DM2 no mundo. Em diferentes países, a meta glicêmica não é atingida em uma proporção alarmante dos pacientes. No Brasil, há dados que mostram que 67,8% dos pacientes tinham hemoglobina glicada (HbA1C) acima de 7%. Além disso, sabe-se que sobrepeso e obesidade são prevalentes em pacientes com DM2, o que também pode influenciar no controle da doença [5,6].

Em seguida, foram apresentados resultados do programa SURPASS, um programa de ensaios clínicos em pacientes com DM2. O SURPASS-1 testou tirzepatida (nas doses de 5 mg, 10 mg ou 15 mg) versus placebo em pacientes adultos com DM2 virgens de tratamento medicamentoso e que não haviam sido controlados por dieta e exercício físico. Foram incluídos 478 pacientes com HbA1C basal de 7,9% e IMC médio de 31,9 kg/m². No seguimento de 40 semanas, todas as doses de tirzepatida reduziram tanto os níveis glicêmicos quanto o peso. As doses de 5 mg, 10 mg e 15 mg reduziram a hemoglobina glicada em 1,87%, 1,89% e 2,07%, respectivamente, com maior taxa de pacientes com HbA1C < 7% (97-92% vs. 20%). Houve também perda ponderal entre 7 e 9,5 kg [7].

Por sua vez, o estudo SURPASS-2 testou a tirzepatida versus a semaglutida. As doses testadas foram tirzepatida 5 mg, 10 mg e 15 mg versus semaglutida 1 mg, todas associadas à metformina. Pacientes incluídos eram adultos com DM2, HbA1C entre 7% e 10,5%, IMC de pelo menos 25 kg/m² (com peso estável) e em dose estável de metformina (pelo menos 1,5 g por dia). Foram excluídos pacientes com diabetes mellitus do tipo 1 (DM1), TFGe < 45 mL/min/1,73 m², história de pancreatite, retinopatia diabética não proliferativa com necessidade de tratamento urgente, retinopatia diabética proliferativa ou maculopatia diabética e utilização de qualquer tratamento hipoglicemiante que não a metformina nos últimos 3 meses. Em relação à HbA1C, houve redução de 2,01%, 2,24% e 2,30% nos grupos tirzepatida 5 mg, 10 mg e 15 mg, respectivamente. Com a semaglutida 1 mg, houve redução de 1,86%. A redução foi significativamente maior em todos os grupos de tirzepatida. Em relação à perda ponderal, houve maior impacto com a tirzepatida, também em todas as doses testadas. Os pacientes perderam, em média, 7,6 kg, 9,3 kg e 11,2 kg com as doses de tirzepatida 5 mg, 10 mg e 15 mg, respectivamente, contra 5,7 kg no grupo semaglutida [8].

Em relação à segurança da medicação, o estudo SURPASS-2 também trouxe insights. A hipoglicemia foi incomum, ocorrendo em 0,2% a 1,7% dos pacientes em uso de tirzepatida e 0,4% no grupo da semaglutida. A hipoglicemia grave ocorreu em apenas 1 paciente no grupo 5 mg (0,2%) e 1 paciente no grupo 15 mg (0,2%). A pancreatite ocorreu em 2 pacientes no grupo 5 mg (0,4%), 2 pacientes no grupo 15 mg (0,4%) e em 3 pacientes do grupo semaglutida (0,6%). Colelitíase foi detectada em 0,4% dos pacientes nos grupos 5 mg e 10 mg de tirzepatida e em 0,2% no grupo de semaglutida. O carcinoma medular de tireoide não foi detectado em nenhum paciente. Retinopatia diabética ocorreu em 2 pacientes do grupo tirzepatida 10 mg (0,4%). Houve descontinuação do tratamento por evento adverso em 5%, 8% e 8% nos grupos de tirzepatida 5 mg, 10 mg e 15 mg, respectivamente, contra 4% no grupo semaglutida. Os principais eventos adversos que levaram à descontinuação da droga foram gastrointestinais.

Foram também relatados outros benefícios potenciais da tirzepatida, como a redução de desfechos renais negativos em comparação à insulina glargina, mostrando novas frentes de pesquisa a serem exploradas [9].

Por fim, foram dadas dicas práticas para o uso da medicação, como orientar os pacientes sobre os possíveis eventos adversos, orientá-los a comer devagar e parar quando estiverem satisfeitos, evitar a administração da medicação próxima a uma grande refeição ou com alto teor de gordura e seguir as instruções do produto.

 

 

Este conteúdo foi produzido pela Afya com o apoio de Lilly de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.

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