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Endocrinologia25 junho 2026

Tirzepatida e insulina no tratamento do DM1 em adultos com sobrepeso e obesidade

Revisão avalia a tirzepatida como terapia adjuvante à insulina em adultos com DM1 e sobrepeso. Confira as evidências.

Sobrepeso e obesidade estão se tornando cada vez mais frequentes em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 (DM1), contribuindo para aumento da resistência insulínica, necessidade de doses maiores de insulina e aumento de condições cardiometabólicas associadas. 

A tirzepatida – o duplo agonista de GIP e GLP-1, já demonstrou inúmeros benefícios em pacientes com diabetes mellitus Tipo 2 (DM2), porém com poucos estudos acerca do seu papel nos pacientes com DM1. 

Sendo assim, recentemente foi publicado um artigo que tentou averiguar o papel da tirzepatida como terapia adjunta em pacientes adultos com DM1 e sobrepeso/obesidade. Vamos ver o que temos de informações. 

tirzepatida e insulina

Introdução

O fenótipo dos pacientes com DM1 vem sofrendo alterações ao longo dos anos. Anteriormente associados a um padrão mais longilíneo, agora muitos dos pacientes com DM1 também cursam com sobrepeso/obesidade. 

O excesso de peso em pacientes com Dm1 é clinicamente relevante por se associar a maior resistência insulínica, requerimento de doses maiores de insulina, aumento da variabilidade glicêmica e menos desfechos favoráveis em relação à saúde cardiometabólica. 

Nesse contexto, terapias adjuvantes merecem atenção redobrada por serem potenciais aliadas no tratamento dos pacientes com DM1 e sobrepeso/obesidade. 

O presente artigo visou então buscar estudos relacionados à tirzepatida como terapia adjuvante no tratamento do DM1 desse perfil de pacientes. 

Metodologia

Em base de dados eletrônicas, foram pesquisados estudos com o tema relacionado até o período de 01 de março de 2026. 

Os estudos elegíveis deveriam incluir estudos randomizados, observacionais ou de coorte reportando a eficácia da tirzepatida como tratamento adjunto à insulina para pacientes adultos com DM1. 

Os desfechos primários analisados foram a mudança no peso corporal e da Hba1c. Demais desfechos: dose diária total de insulina, mudanças nos parâmetros de monitorização contínua de glicose (MCG), bem como segurança nos parâmetros de cetoacidose, hipoglicemia, eventos adversos gastrointestinais e descontinuação do tratamento. 

Resultados

 De 241 estudos, 8 foram selecionados: 1 pequeno ensaio clínico randomizado de fase 2, controlado por placebo com duração de 12 semanas e 7 estudos observacionais. 

A maioria deles apresentava sério risco de viés e o achado mais consistente foi a redução do peso corporal. No ensaio clínico randomizado, 22 dos 24 participantes terminaram o estudo a a tirzepatida reduziu o peso corporal médio em 10,3 kg, com uma diferença de 8,7kg em relação ao placebo. Além disso, também foi relatada uma redução de 35,1% na dose diária total e insulina e uma diferença de Hba1c de -0,4 pontos percentuais. 

Discussão

O estudo tentou averiguar o papel da tirzepatida como terapia adjunta à insulina em pacientes com DM1 e sobrepeso/obesidade. 

Muitos dos achados vistos foram decorrentes da perda de peso que a medicação proporciona com consequentes melhora em parâmetros cardiometabólicos. 

Como qualquer artigo, esse também contou com pontos de limitação a exemplo de apenas um artigo ter sido válido para análise, com pequena amostra populacional e pouco tempo de seguimento.  

No entanto tais limitações trazem luz de que mais estudos são necessários para avaliar o impacto da tirzepatida em pacientes com DM1 e sobrepeso/obesidade tanto em relação a redução de peso corporal, como redução da Hba1c , da dose diária de insulina e outros desfechos. 

Conclusão e Mensagem Final

O presente artigo sugere que a tirzepatida pode ser uma estratégia adjuvante interessante no tratamento de pacientes adultos com DM1 e sobrepeso/obesidade, em grande parte por proporcionar perda de peso significativa. Alguns outros dados sugerem também possível benefício na Hba1c e em métricas de aferição de glicemia, como o MCG, reduzindo substancialmente as doses de insulina. 

No entanto, apesar de tantas expectativas, a base de evidências ainda é baixa e são necessários mais estudos de maior durabilidade, avaliação de dose-resposta e de segurança para avaliar os reais impactos da Tirzepatida nessa população de pacientes.

Autoria

Foto de Juliane Braziliano

Juliane Braziliano

Editora médica na Afya. Graduação em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuação na Afya e em consultório particular, além de telemedicina.

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Referências bibliográficas

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