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Endocrinologia3 julho 2026

Terapia nutricional e uma abordagem gradual em doenças críticas

Revisão propõe uma estratégia escalonada de terapia nutricional conforme as fases metabólicas da doença crítica, reduzindo riscos de superalimentação.

Pacientes em estado crítico passam por fases metabólicas distintas — catabólica aguda, de estabilização e de recuperaçã— que exigem estratégias nutricionais diferentes.

A terapia nutricional é fundamental na medicina intensiva; no entanto, estratégias convencionais de oferta de nutrientes aplicadas de forma padronizada a todos os pacientes podem não levar em conta as alterações metabólicas dinâmicas e a variabilidade individual inerentes à doença crítica. 

Metodologia

Esta revisão, publicada em 2026 na revista Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care, propõe uma estratégia escalonada e adaptada às fases, visando alinhar a terapia nutricional a um modelo conceitual de três etapas metabólicas: fase catabólica aguda, fase de estabilização e fase de recuperação. 

Resultados encontrados e discussão

Ensaios clínicos randomizados demonstraram consistentemente a ausência de benefícios — e o potencial risco de danos — associados à oferta precoce de energia ou proteínas em doses plenas, particularmente em pacientes com falência grave de órgãos. 

A fase catabólica aguda caracteriza-se por inflamação sistêmica, picos de hormônios do estresse e resistência à insulina; nessa etapa, a subalimentação permissiva minimiza a sobrecarga metabólica. Na fase de estabilização, a redução dos marcadores inflamatórios e a melhora da função orgânica permitem um aumento cauteloso da oferta nutricional, embora biomarcadores como hiperglicemia e hipofosfatemia possam indicar que o paciente ainda não está apto para receber a meta nutricional completa. Na fase de recuperação, a inflamação cede e a mobilidade melhora, exigindo maior aporte energético e proteico em conjunto com a reabilitação física. 

Os pacientes podem regredir para fases anteriores, tornando necessária a redução da oferta nutricional. 

Conclusão

A oferta precoce de nutrição em dose plena não melhorou os desfechos e pode ser prejudicial; a subalimentação permissiva é fisiologicamente adequada na fase catabólica aguda. 

A estratégia nutricional escalonada e adaptada às fases — iniciar com doses baixas, progredir criteriosamente e individualizar o tratamento ao longo do tempo — oferece uma abordagem de precisão para alinhar a oferta de nutrientes à capacidade metabólica, minimizando os riscos de superalimentação ou subalimentação. 

As prioridades futuras incluem a validação de biomarcadores, a identificação de fenótipos metabólicos e o teste de algoritmos de nutrição adaptativa para otimizar a terapia nutricional. 

Autoria

Foto de Letícia Japiassú

Letícia Japiassú

Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.

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Referências bibliográficas

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