A osteoporose pós-menopausa constitui um importante problema de saúde pública, associada a elevada morbimortalidade e custos assistenciais, sobretudo em decorrência de fraturas por fragilidade, com destaque para as fraturas de quadril. O romosozumabe, anticorpo monoclonal anti-esclerostina, representa uma terapia osteoanabólica potente com efeito também anti-reabsortivo, indicado para tratamento da osteoporose com muito alto risco de fratura. Contudo, além do seu uso ser limitado pelo alto custo, sabemos que seu efeito osteoanabólico é transitório, concentrando-se nos primeiros meses de tratamento e que seu poder anti-reabsortivo é fraco em comparação com outros agentes. Diante disso, questiona-se se seu uso por 12 meses é realmente necessário.
Diante desse contexto, foi publicado recentemente no The Lancet, um estudo que teve como objetivo avaliar se um regime abreviado de romosozumabe por três meses, seguido de denosumabe por nove meses, seria não inferior ao esquema padrão de 12 meses de romosozumabe em relação ao ganho de DMO, particularmente no quadril total, em mulheres pós-menopáusicas com alto risco de fratura.
Métodos
Trata-se de um ensaio clínico randomizado, controlado, aberto e de não inferioridade, conduzido em um único centro acadêmico nos Estados Unidos. Foram incluídas 50 mulheres pós-menopáusicas, com idade ≥45 anos, com alto risco de fratura definido por fratura prévia por fragilidade ou T-score ≤ −2,5. As participantes foram randomizadas para receber romosozumabe 210mg/mês por três meses seguido de denosumabe 60mg no mês 3 e no mês 9 (grupo ROMO 3M) ou romosozumabe por 12 meses (grupo ROMO 12M). O desfecho primário foi a variação percentual da DMO do quadril total em 12 meses, avaliada por densitometria óssea.
Resultados
Após 12 meses, o aumento médio da DMO no quadril total foi de 5,7% no grupo ROMO 3M e de 6,0% no grupo ROMO 12M, atendendo ao critério pré-especificado de não inferioridade. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto aos ganhos de DMO no colo femoral, coluna lombar ou rádio distal.
Os marcadores de remodelação óssea mostraram aumento transitório da formação óssea (P1NP) nos primeiros meses em ambos os grupos, seguido de maior supressão da remodelação no grupo que recebeu denosumabe, sem impacto negativo nos ganhos de DMO. Os eventos adversos foram semelhantes entre os grupos, não havendo registro de eventos cardiovasculares maiores, osteonecrose de mandíbula ou fraturas femorais atípicas durante o seguimento.
Conclusão
Em conclusão, o estudo demonstra que um regime abreviado de romosozumabe por três meses, seguido de denosumabe, é não inferior ao tratamento padrão de 12 meses de romosozumabe para aumento da DMO do quadril total em mulheres pós-menopáusicas com alto risco de fratura. Essa estratégia pode representar uma alternativa clinicamente relevante, com potencial para reduzir custos, número de injeções e possivelmente riscos associados, ampliando o acesso e a adesão a uma terapia altamente eficaz para osteoporose.
Autoria

Erik Trovão
Formado em Medicina pela UFCG •Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE •Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE •Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM •Mestre em neurociências pela UFPE •Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE
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