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Endocrinologia2 abril 2026

Será mesmo que o romosozumabe aumenta o risco cardiovascular?

Estudo fornece uma das evidências observacionais mais robustas até o momento de que o romosozumabe não apresenta maior risco de MACE na osteoporose.
Por Erik Trovão

Desde a publicação do ARCH, um dos estudos pivotais do romosozumabe, que demonstrou maior número de infarto agudo do miocárdio e de acidente vascular cerebral no grupo de pacientes que usaram a medicação anti-esclerostina versus aqueles que usaram alendronato, há uma preocupação em relação a um potencial efeito da medicação em aumentar o risco cardiovascular de indivíduos em tratamento para osteoporose. E, embora o estudo FRAME não tenha tido o mesmo achado, a droga foi aprovada nos órgãos regulatórios de diversos países com o alerta em bula. No Brasil, por exemplo, o romosozumabe é contraindicado em quem teve evento cardiovascular no último ano. 

Algumas evidências de mundo real, no entanto, vêm demonstrando cada vez mais que esta preocupação, talvez, deva ser cada vez mais desconsiderada.Publicado em 2025, no Clinical Pharmacology & Therapeutics, o estudo de Maruyama et al. avaliou a segurança cardiovascular do romosozumabe em comparação à teriparatida em pacientes com osteoporose, buscando responder se o uso de romosozumabe estaria associado a maior risco de eventos cardiovasculares maiores (MACE), inclusive em subgrupos de maior risco basal. 

 Métodos do estudo

Tratou-se de um estudo de coorte de novos usuários, conduzido com base no National Database of Health Insurance Claims (NDB) do Japão, uma base administrativa nacional que cobre cerca de 98% dos atendimentos de saúde do país. Foram incluídos pacientes com 40 anos ou mais que iniciaram romosozumabe ou teriparatida entre março de 2019 e março de 2023. O comparador ativo escolhido foi a teriparatida, por compartilhar indicação clínica semelhante em osteoporose de muito alto risco. O desfecho primário foi a ocorrência de MACE, definido como um composto de infarto agudo do miocárdio, síndrome coronariana aguda e AVC (isquêmico ou hemorrágico). 

osteoporose

Resultados

A amostra foi muito robusta, com 251.219 usuários de romosozumabe e 500.445 usuários de teriparatida, sendo a faixa etária mais frequente entre 80–89 anos em ambos os grupos. Em termos de perfil basal, os grupos foram globalmente comparáveis, embora o grupo teriparatida apresentasse discretamente maior proporção de homens, uso de anticoagulantes e algumas comorbidades cardiovasculares. Durante o seguimento, a incidência de MACE foi de 1,09 por 100 pessoas-ano no grupo romosozumabe e de 1,22 por 100 pessoas-ano no grupo teriparatida. No entanto, após ajuste multivariado para idade, sexo, comorbidades e medicações cardiovasculares, o hazard ratio ajustado (aHR) para MACE com romosozumabe versus teriparatida foi de 1,00 (IC95% 0,94–1,06), indicando ausência de diferença estatisticamente significativa entre os tratamentos. 

Quando os componentes do desfecho composto foram avaliados separadamente, também não houve aumento significativo de risco para IAM, SCA ou AVC com romosozumabe. Além disso, os pacientes foram estratificados em: sem histórico de MACE, com MACE no ano anterior ao início da droga e com MACE ocorrido há mais de um ano. Em todos esses subgrupos, o romosozumabe não se associou a maior risco cardiovascular em comparação à teriparatida: os aHRs foram 1,01, 0,93 e 1,00, respectivamente, todos com intervalos de confiança cruzando a unidade. Também não houve modificação relevante do efeito quando os pacientes foram estratificados por sexo, com resultados semelhantes em homens e mulheres.  

Conclusão e mensagem prática

Em síntese, este estudo fornece uma das evidências observacionais mais robustas até o momento de que o romosozumabe não apresenta maior risco de MACE em comparação à teriparatida em pacientes japoneses com osteoporose, inclusive entre aqueles com antecedente de eventos cardiovasculares maiores. Para a prática clínica, o trabalho reforça que a decisão pelo uso do romosozumabe deve continuar sendo individualizada, especialmente em pacientes de alto risco cardiovascular, mas sugere que o fármaco não parece conferir excesso de risco cardiovascular em cenário de vida real.  

Autoria

Foto de Erik Trovão

Erik Trovão

Formado em Medicina pela UFCG •Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE •Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE •Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM •Mestre em neurociências pela UFPE •Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE

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