Embora a sobrevida após doenças críticas tenha melhorado, muitos sobreviventes de unidades de terapia intensiva (UTI) apresentam perda de massa muscular persistente, desnutrição e declínio funcional — todos componentes fundamentais da síndrome pós-UTI (PICS), que pode ocorrer em até 70% dos sobreviventes de UTI, decorrente de hipercatabolismo persistente, inflamação e desnutrição.
Sequelas adicionais — incluindo disfunção neuromuscular, distúrbios sensoriais, alterações osteoporóticas, anormalidades endócrinas e metabólicas e distúrbios do sono.
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Metodologia
Esta revisão, publicada em 2026 na revista Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care, aborda os desafios metabólicos e nutricionais enfrentados após a alta da UTI, explicando por que tratar essas questões por meio de estratégias de recuperação personalizadas é oportuno e clinicamente relevante.
Resultados encontrados e discussão
Evidências recentes mostram que sobreviventes de UTI geralmente atingem apenas 50% a 60% de suas necessidades energéticas e proteicas durante a fase de recuperação, particularmente após a transferência da UTI para a enfermaria. Como o gasto energético permanece elevado, o desequilíbrio energético pode se agravar após a alta da UTI.
Fatores que contribuem para esse desequilíbrio incluem hipercatabolismo, disfagia, imobilização e alterações hormonais. Estudos sugerem que uma nutrição personalizada e faseada apoiada pela mobilização precoce e pelo monitoramento metabólico, pode melhorar os desfechos clínicos. Pesquisas demonstraram que o suporte nutricional personalizado reduz a mortalidade e as complicações em pacientes hospitalizados.
Conclusão
Otimizar a nutrição, desde a permanência na UTI até a recuperação pós–hospitalar, é essencial para restaurar a massa muscular, reduzir a incapacidade e melhorar a qualidade de vida. Estratégias nutricionais personalizadas e multimodais, combinadas com a reabilitação, constituem a base da recuperação pós-UTI e devem ser um foco principal de futuras pesquisas clínicas e iniciativas de implementação.
Autoria

Letícia Japiassú
Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.
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