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Endocrinologia9 dezembro 2025

Principais recomendações do novo guideline europeu de hipoparatireoidismo

Resumimos a seguir as principais recomendações da nova diretriz.
Por Erik Trovão

Em novembro de 2025, a European Society of Endocrinology atualizou e publicou suas recomendações para o diagnóstico, tratamento e seguimento do hipoparatireoidismo crônico em adultos, incorporando atualizações surgidas desde 2015. 

O hipoparatireoidismo é uma condição rara, de curso prolongado, frequentemente associada a complicações renais, neuromusculares e impacto substancial na qualidade de vida, necessitando assim de um manejo adequado baseado em alvos terapêuticos bem definidos, redução de riscos a longo prazo, individualização terapêutica e melhora da qualidade de vida.

Diante disto, resumimos a seguir as principais recomendações da nova diretriz. 

 

  1. Diagnóstico: o diagnóstico de hipoparatireoidismo deve ser considerado em indivíduos com hipocalcemia persistente (cálcio iônico ou cálcio total corrigido pela albumina abaixo do limite inferior da normalidade) acompanhada de níveis de PTH inapropiadamente baixos ou normais, após exclusão de hipomagnesemia. Se os níveis de magnésio estão baixos, devem ser corrigidos antes do diagnóstico de hipoparatireoidismo. A diretriz também estabelece que, em casos pós-cirúrgicos, o diagnóstico da forma crônica ou permanente deve ser reservado para pacientes que mantêm hipocalcemia e necessidade de suplementação por mais de 12 meses após a cirurgia, uma vez que uma parcela significativa de pacientes recupera a função paratireoidiana entre o sexto e o décimo segundo mês. 
  2. Alvos do tratamento: o tratamento deve ser individualizado, visando reduzir sintomas, otimizar qualidade de vida, minimizar flutuações cálcicas e prevenir complicações sistêmicas. Os alvos bioquímicos são: manter cálcio total ajustado ou cálcio ionizado no limite inferior da normalidade ou discretamente abaixo; fosfato dentro da faixa de referência; excreção urinária de cálcio abaixo de 300mg/24h em homens e abaixo de 250mg/24h em mulheres ou abaixo de 4mg/Kg/24h em ambos; níveis normais de magnésio; e 25-hidroxivitamina D ≥ 30 ng/mL. Mas os autores reconhecem que a melhora da qualidade de vida deve ser um alvo primordial a ser buscado, mesmo que, para isso, seja preciso manter os alvos bioquímicos um pouco fora das metas.
  3. Indicação do tratamento: o tratamento deve ser iniciado em todos os pacientes sintomáticos e naqueles com cálcio sérico < 8,0mg/dl (ou cálcio ionizado < 1,0 mmol/L); e pode ser considerado em pacientes assintomáticos com valores de cálcio entre 8,0mg/dl e o limite inferior da normalidade, com o objetivo de tentar melhorar a qualidade de vida. A terapia baseia-se no uso de análogos de vitamina D ativa (preferencialmente calcitriol ou alfacalcidol – este último não disponível no Brasil) associados à ingestão dietética adequada de cálcio. Quando a meta de cálcio sérico não é atingida apenas com dieta e calcitriol, utilizam-se suplementos de cálcio, distribuídos ao longo do dia em doses fracionadas.
  4. Suplementação de cálcio: quanto à escolha da forma de suplementação, a diretriz recomenda iniciar pela otimização do cálcio dietético (800–1000 mg/dia) e recorrer a suplementos quando necessários. As doses devem ser fracionadas pois o intestino tem um limite máximo de absorção por vez de 500mg de cálcio elementar. Na presença de hipercalciúria, orienta-se reduzir cálcio e vitamina D, adotar dieta hipossódica e considerar tiazídico, reservando o uso de PTH quando medidas conservadoras falham.
  5. Indicações de análogo de PTH:  esta medicação é indicada em pacientes com hipoparatireoidismo crônico que persistem com sintomas, hipocalcemia recorrente, hipercalciúria, hiperfosfatemia, piora da função renal ou qualidade de vida prejudicada apesar do tratamento convencional otimizado. As recomendações sugerem titular o PTH de modo a manter cálcio dentro da faixa-alvo com mínima ou nenhuma necessidade de calcitriol e suplementos de cálcio, avaliando resposta em 6 a 12 meses. O análogo disponível atualmente fora do Brasil é o palopegteriparatida.
  6. Seguimento: o seguimento deve incluir monitorização periódica de cálcio, fosfato, magnésio, função renal e sintomas a cada 3 a 6 meses, com avaliações após 1 a 2 semanas após mudanças terapêuticas. A dosagem anual de PTH permite identificar recuperação tardia, especialmente em casos pós-cirúrgicos. A diretriz recomenda ainda avaliar calciúria a cada 1 a 2 anos, além do rastreio de comorbidades associadas anualmente, realizando exames de imagem renal apenas se houver sinais sugestivos de nefrolitíase ou nefrocalcinose. 

Autoria

Foto de Erik Trovão

Erik Trovão

Formado em Medicina pela UFCG •Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE •Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE •Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM •Mestre em neurociências pela UFPE •Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE

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