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Endocrinologia29 abril 2022

Os efeitos do jejum intermitente (JJI) em fatores de risco para doenças cardiovasculares

Neste texto, comentamos a respeito dos efeitos do jejum intermitente (JJI) nos fatores de riscos cardiovasculares. Saiba mais.

A obesidade é uma condição crônica que sabidamente aumenta o risco de outras doenças metabólicas, como diabetes e dislipidemia e é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Um dos desfechos principais, portanto, a se analisar quando se estuda os efeitos da perda de peso na saúde é justamente seus benefícios na redução do risco cardiovascular e dos fatores de risco.

Dentre as estratégias adotadas que podem induzir uma perda de peso significativa, o jejum intermitente (JJI) vem ganhando destaque, ganhando uma revisão narrativa a respeito na conceituada revista Nature Endocrine Reviews em 2022.  O estudo separou os efeitos do JJI na obesidade e composição corporal e também em fatores de risco cardiometabólicos. Por fins didáticos, separamos os assuntos em dois tópicos. Neste, comentaremos a respeito dos efeitos do JJI nos fatores de risco cardiovasculares (no tópico anterior, já comentamos a respeito do efeito dessa dieta na perda de peso e na composição corporal, não deixe de conferir).

JJI

Lembrando sobre os modelos de jejum intermitente

Vale lembrar que a revisão destaca três formas diferentes de JJI: a estratégia de tempo de restrição alimentar (TRA), onde o indivíduo permanece em jejum por cerca de 12 a 16h durante o dia; dias alternados (um dia de jejum e um dia de alimentação ad libitum, ou seja, a vontade) e 5:2 (cinco dias de alimentação e dois dias de jejum). As duas últimas mostram real benefício na perda de peso.

Fatores de risco metabólicos

Hipertensão arterial (HAS)

Grande parte dos estudos que avaliaram os efeitos do jejum intermitente na composição corporal também observaram as consequências em diversos fatores de risco. Na HAS, os efeitos do JJI em dias alternados ou “5:2” são muito variáveis, com estudos mostrando reduções de até 11% na pressão sistólica e outros com efeito neutro. A revisão destaca que boa parte dos participantes desses estudos não eram hipertensos e portanto o efeito na redução da pressão arterial pode ter ficado “diluído”. Há tendência em vários estudos em reduzir a PA sobretudo em hipertensos. As três formas de jejum parecem produzir tal efeito.

Perfil lipídico

Da mesma forma, alguns estudos demonstraram efeito neutro em todas as frações do colesterol e triglicérides, porém há dados que sugerem redução entre 10 a 22% no LDL e 16 a 36% em triglicérides. Algo importante a se destacar é que, devido à escassez de dados, não é possível concluir nos estudos que demonstraram melhora do perfil lipídico se isso ocorreu devido a perda de peso ou se houve um benefício adicional da dieta. Além disso, os estudos não são claros a respeito da forma de coleta dos exames, se foi em dia de jejum ou não, uma vez que jejum prolongado por mais de 18h pode induzir lipólise e até mesmo elevar a dosagem de triglicérides.
Novamente, as três formas de JJI parecem equivalentes nesse quesito.

Glicemia

A maioria dos estudos selecionou uma população não diabética e não houve diferença induzida pela dieta na glicemia de jejum desse perfil. No entanto, quando a avaliação incluiu níveis de insulina em jejum, diversos estudos mostraram redução entre 11 a 38%, sinalizando uma tendência à redução na resistência insulínica. Pouquíssimos estudos avaliaram diretamente o efeito do JJI no controle do diabetes, mostrando redução de 0,3 a 0,5% na hemoglobina glicada, porém também associada a perda de peso (5-7%), sendo difícil estabelecer uma relação causal. Vale destacar que tal modalidade de dieta pareceu segura, com poucos eventos de hipoglicemia.

Inflamação e estresse oxidativo

Sete estudos avaliaram em humanos o efeito do JJI em marcadores inflamatórios, sendo que os níveis de IL-6, PCR e TNF não se reduziram. Porém, níveis de marcadores de estresse oxidativo como 8-isoprostano, nitrotirosina e proteínas carboniladas diminuíram após 8 a 24 semanas. Talvez isso explique a melhora na resistência insulínica.

Considerações finais

Por fim, os estudos demonstram segurança na realização do jejum intermitente. Devemos evitar tal modalidade em populações como crianças, gestantes, pessoas com transtornos alimentares e idosos acima de 70 anos (pelo risco teórico de se agravar uma sarcopenia), uma vez que não existem dados que mostrem segurança. O JJI é uma modalidade que parece induzir perda de peso significativa e provavelmente por isso pode levar a melhora de outros fatores de risco. No momento não há evidências que justifiquem sua recomendação acima de outras estratégias como a restrição calórica e portanto, devemos recomendar a forma que melhor se adeque à rotina de nossos pacientes com obesidade.

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Referências bibliográficas

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