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Endocrinologia6 julho 2026

Nutrição enteral precoce e trajetórias metabólico-inflamatórias dinâmicas na sepse

Estudo mostra que a nutrição enteral precoce na sepse favorece perfis metabólicos de menor risco e reduz a mortalidade em curto prazo.

A sepse continua sendo uma das principais causas de mortalidade evitável e incapacidade a longo prazo em todo o mundo. Uma análise sistemática global mais recente estimou 166 milhões de casos de sepse e 21,4 milhões de mortes relacionadas à sepse em 2021. 

A nutrição enteral precoce (NEP) é uma parte importante do manejo da sepse, mas seus efeitos fisiológicos não são totalmente compreendidos. Este estudo examinou se a NEP influencia o curso temporal de biomarcadores metabólicos e inflamatórios em pacientes com sepse. 

Metodologia: 

Esse é um estudo de coorte retrospectivo publicado em abril de 2026 na revista Frontiers in Medicine, que incluiu 3.354 pacientes adultos com sepse internados em UTI no Hospital West China entre 2011 e 2025. As associações entre NEP e a participação na trajetória foram avaliadas usando regressão logística multinomial. A relação entre os grupos de trajetória e a mortalidade em 28 dias foi avaliada posteriormente. 

Resultados encontrados e discussão: 

Nesta coorte, a NEP foi associada a trajetórias metabólicas-inflamatórias de menor risco em relação à albumina, lactato e procalcitonina. No modelo de trajetória conjunta multivariada que integra os três biomarcadores, emergiram três classes: um padrão de inflamação estável-baixa (67,5%), um padrão intermediário-transitório (21,7%) e um padrão de surto inflamatório de alto risco (10,8%).  

análise conjunta de trajetórias demonstrou que a NEP estava ligada a uma menor probabilidade de pertencer ao fenótipo de surto inflamatório de alto risco, que estava fortemente associado à mortalidade em curto prazo. A nutrição enteral exclusiva (NEE) foi associada independentemente a uma menor probabilidade de classificação nas classes intermediária e de alto risco. O grupo de trajetória de alto risco apresentou aumento significativo na mortalidade em 28 dias. 

Essas descobertas sugerem que os efeitos do momento da nutrição podem ser melhor compreendidos por meio da evolução dinâmica dos padrões de resposta do hospedeiro, em vez de valores isolados de biomarcadores. 

Conclusão: 

O início da NEP esteve associado a uma maior probabilidade de permanecer em trajetórias de albumina-lactato-procalcitonina de baixo risco e a uma menor probabilidade de entrar no padrão de surto inflamatório de alto risco. Essa mudança no nível do padrão pode explicar parcialmente a redução observada na mortalidade em curto prazo associada à NEE. 

Autoria

Foto de Letícia Japiassú

Letícia Japiassú

Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.

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