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Endocrinologia11 junho 2026

Novo guideline da ATA de tireoide e gestação: tratamento da Doença de Graves

Entre as atualizações do novo guideline de tireoide e gestação da ATA 2026, é importante destacar as recomendações referentes ao tratamento da doença de Graves.
Por Erik Trovão

Entre as atualizações do novo guideline de tireoide e gestação da American Thyroid Association (ATA) de 2026, é importante destacar as recomendações referentes ao tratamento da doença de Graves durante o período gestacional. Afinal, é preciso minimizar a intensidade e a duração da tireotoxicose materna, uma vez que o hipertireoidismo mal controlado está associado a maior risco de perda gestacional, hipertensão, restrição de crescimento fetal, natimortalidade, insuficiência cardíaca materna e tempestade tireoidiana. O guideline enfatiza que mulheres com hipertireoidismo franco por doença de Graves devem receber tratamento imediato, de preferência com o uso de drogas antitireoidianas (DATs) e, em situações excepcionais, a tireoidectomia total.  

Conduta frente a suspensão de terapia

Mas antes de destacarmos as recomendações referentes ao tratamento da Doença de Graves na gestação, é preciso lembrar que algumas mulheres com a doença, ao engravidar, podem suspender a terapia. Neste novo guideline, os autores determinam critérios bem estabelecidos para indicar a suspensão das DATs após a confirmação da gravidez em mulheres consideradas de baixo risco para recorrência: pacientes em eutireoidismo, utilizando doses baixas de metimazol (<5–10 mg/dia) ou propiltiouracil (<100–200 mg/dia), mantidas por mais de seis meses antes da concepção e com títulos de TRAb e/ou TSI (imunogloblina estimuladora da tireoide) abaixo de 3 vezes o limite superior da normalidade. Após a suspensão, recomenda-se monitorização rigorosa com TSH, T4 livre e avaliação clínica a cada 1–2 semanas durante o primeiro trimestre.  

Conduta frente ao prosseguimento da terapia

Caso a mulher não preencha critérios para a suspensão, a medicação deve ser mantida, mas se o metimazol for a terapia em uso, a droga deve ser trocada por propiltiouracil (PTU) assim que a gravidez for confirmada. Além disso, o novo guideline recomenda que já durante o período pré-concepcional, o tratamento com metimazol deve ser trocado por PTU assim que a mulher manifeste o desejo de engravidar, destacando a necessidade de atingir o eutireoidismo (com duas funções tireoidianas normais no período de 6 semanas) antes da gestação. Outra opção para estas mulheres no período pré-concepcional é realizar algum tratamento definitivo antes da gravidez, lembrando que, no caso da terapia com radioiodo, recomenda-se aguardar pelo menos 6 meses para poder liberar a gestação. 

Medicação

Quanto à escolha da medicação para início de tratamento quando a doença é diagnosticada já na gestação, o guideline de 2026 mantém a preferência pelo PTU antes da 16ª semana de gestação devido ao menor potencial teratogênico quando comparado ao metimazol. Entretanto, uma mudança importante é o reconhecimento de que ainda não existem evidências suficientes para definir se o PTU deve obrigatoriamente ser substituído por metimazol após a 16ª semana, como tradicionalmente era recomendado. Dessa forma, a decisão passa a ser individualizada. Deve-se utilizar a proporção aproximada de conversão de 1:20 entre metimazol e PTU. 

 

Autoria

Foto de Erik Trovão

Erik Trovão

Conteudista médico na Afya. Formado em Medicina pela UFCG. Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE. Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM. Mestre em neurociências pela UFPE. Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE

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