O artigo de revisão “Supplements for bone health” publicado recentemente no Archives of Endocrinology discutiu, além dos benefícios do cálcio e da vitamina D para o tecido ósseo, o papel da suplementação de vitamina K e de magnésio sobre a saúde óssea. Os autores revisaram as principais evidências sobre o tema, mas será que concluíram a favor da suplementação ou será que mais estudos são necessários?
O que diz o artigo
Em relação à vitamina K, os autores iniciaram a discussão apontando o que sabemos até o momento sobre a sua participação da fisiologia osteometabólica. A vitamina K atua como cofator da enzima γ-glutamil carboxilase, responsável pela ativação de proteínas envolvidas na mineralização óssea, como a osteocalcina, cuja forma carboxilada apresenta maior afinidade pelo cálcio e pela hidroxiapatita, favorecendo a adequada mineralização da matriz óssea. A vitamina K também parece agir como inibidora da calcificação ectópica, contribuindo para a integridade do tecido ósseo, além de inibir o sistema RANK/RANKL e estimular a osteoprotegerina, o que resulta em redução da reabsorção óssea.
Além desse papel positivo sobre a fisiologia do tecido ósseo, estudos observacionais e meta-análises demonstram associação consistente entre baixa ingestão ou baixos níveis circulantes de vitamina K e redução da densidade mineral óssea, bem como maior risco de fraturas, especialmente de quadril. Entretanto, os ensaios clínicos randomizados que avaliaram suplementação de vitamina K apresentam resultados heterogêneos, variando conforme a forma utilizada, dose, duração do seguimento e população estudada. De modo geral, os benefícios parecem mais evidentes em indivíduos com osteoporose e em estudos de longo prazo, mas ainda não há evidência robusta para recomendação universal da suplementação com o objetivo de reduzir o risco de fratura.
Em relação ao magnésio, sabemos que ele participa diretamente da formação da matriz óssea, atua como cofator da fosfatase alcalina e é necessário para a ativação da vitamina D, influenciando de forma indireta a homeostase do cálcio. E a deficiência de magnésio está associada a alterações desfavoráveis no remodelamento ósseo, como o estímulo à diferenciação e à atividade osteoclástica. Por outro lado, níveis excessivos de magnésio também podem ser prejudiciais, uma vez que a hipermagnesemia inibe a diferenciação osteoblástica e favorece a reabsorção óssea.
Considerações e mensagem prática
As evidências epidemiológicas indicam que ingestão inadequada de magnésio está associada a menor densidade mineral óssea e maior risco de fraturas, embora os dados de suplementação ainda sejam limitados. As recomendações atuais priorizam a adequação da ingestão dietética, por meio de alimentos ricos em magnésio, como leguminosas, vegetais verdes, oleaginosas e grãos integrais. Mas assim como para a vitamina K, não há evidência ainda que permita uma indicação de suplementação de magnésio com o objetivo de evitar fraturas, uma vez que os estudos têm limitações metodológicas e ainda são inconclusivos.
Autoria

Erik Trovão
Formado em Medicina pela UFCG •Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE •Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE •Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM •Mestre em neurociências pela UFPE •Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE
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