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Endocrinologia27 janeiro 2026

Intervenções comportamentais no controle de peso em adolescentes

Revisão analisa intervenções comportamentais para controle de peso em adolescentes com sobrepeso e obesidade e seu impacto no risco de transtornos alimentares.

Com o aumento da prevalência de sobrepeso/obesidade no universo infantil, emerge-se a necessidade de intervenções eficazes para reduzir a incidência crescente dessas condições. No entanto, um alerta é pertinente visto que muitas das intervenções estão associadas com o aumento do risco de transtornos alimentares em crianças e adolescentes.  

Recentemente, foi lançado um artigo que visou entender como estratégias comportamentais para manejo do peso em adolescentes com sobrepeso e obesidade pode influenciar na ocorrência de transtornos alimentares. Vamos ver o que artigo nos trouxe de informações. 

peso e imc elevados em adolescentes

Introdução: 

O manejo comportamental do excesso de peso é multifatorial e inclui dieta, atividade física e mudanças psicossociais. Os principais guidelines de Pediatria recomendam que o tratamento medicamentoso ou cirúrgico seja aliado à medidas de mudança de estilo de vida e melhorias na saúde comportamental.  

A Colaboração de Transtornos Alimentares e Terapia relacionada ao Peso (EDIT) vem tentando elucidar o impacto do controle comportamental do peso no risco de desenvolvimento de transtornos alimentares. Ela reúne pesquisadores, clínicos e pessoas com experiência vivida em sobrepeso/obesidade e transtornos alimentares. 

Sendo assim, o intuito da presente revisão foi descrever características de implementação e as estratégias de intervenções comportamentais para o controle de peso que foram capazes de mensurar resultados de transtornos alimentares em adolescentes. 

Metodologia: 

Foram pesquisados artigos em base de dados eletrônicas relacionados a adolescentes com sobrepeso/obesidade e aferição do risco de transtorno alimentar antes e após a intervenção. 

Os ensaios elegíveis recrutaram adolescentes (definidos pela OMS com idade entre 10 e 19 anos) com sobrepeso ou obesidade definidos como escore Z do IMC > 1 e precisavam incluir: pelo menos uma intervenção comportamental de controle de peso com objetivo de melhorar resultado relacionado ao peso; pelo menos um grupo de comparação e mensuração do risco de transtorno alimentar na linha de base e após intervenção ou durante acompanhamento com ferramentas médicas validadas. 

Os critérios de exclusão foram: se intervenções fossem cirurgia bariátrica, intervenções pós cirúrgicas, farmacoterapia ou suplementação de nutrientes, intervenções que visassem tratar causas secundárias de obesidade ( ex: Síndrome de Prader-Willi)  ou qualquer outra condição médica ( ex: apnéia do sono), distúrbios alimentares ou prevenção da obesidade. 

Resultados: 

Dos 11.860 registros coletados, 23 ensaios clínicos randomizados (ECR) com 54 braços de intervenções foram incluídos.  Os estudos foram publicados de 2000 a 2020. A maioria das intervenções focou em perda e manutenção de peso (54%), sendo baseadas em abordagem cognitivo-comportamental. A maioria das intervenções visava um público alvo que tivesse uma pessoa de apoio (70%).  

A duração mediana das intervenções foi de 26 semanas (variando de 8 a 52 semanas), sendo semanalmente em 35% dos casos ou escalonada ( ex: semanal e depois mensal) em 41% dos casos. A maioria das estratégias incluíram abordagem de alimentação saudável ( 89%), prática de atividade física ( 89%) e resolução de problemas relacionados a impedimentos de mudança alimentar. No entanto, poucas incluíram estratégias de saúde mental (17%). 

Discussão: 

A presente revisão avaliou inúmeras intervenções no controle de peso de adolescentes com sobrepeso/obesidade e trouxe a reflexão de que cada uma delas deve ser bem avaliada antes de ser aplicada devido aos seus riscos e benefícios. Embora 65% das intervenções incluísse “prescrição dietética” (que foi associada a maior risco de transtorno alimentar), essas intervenções também promoviam estratégias para promover hábitos de vida saudáveis. Tal constatação revela como a combinação das intervenções pode ser complexa e requer estudos mais aprofundados. 

O estudo contou como ponto forte o fato de ter selecionado uma vasta gama de ensaios clínicos de forma a tentar compreender as diversas intervenções no comportamento do controle de peso, porém como principal fator limitante foi o fato de que as intervenções avaliaram o risco de transtorno alimentar antes e depois da intervenção e , portanto, não representaram todas as intervenções de controle de peso.  

Conclusão: 

As intervenções para manejo de peso em adolescentes são complexas e variam no   modo que são aplicadas para modificar comportamentos. Entender cada uma delas é a chave crucial para tratar e prevenir o sobrepeso e a obesidade em adolescentes, reduzindo o risco de transtornos alimentares.

Autoria

Foto de Juliane Braziliano

Juliane Braziliano

Editora médica na Afya. Graduação em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuação na Afya e em consultório particular, além de telemedicina.

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