Logotipo Afya

Produzido por

Anúncio
Endocrinologia15 julho 2026

Incidentaloma adrenal: qual é o real risco de malignidade?

Encontrou um incidentaloma adrenal na tomografia? Um estudo multicêntrico avaliou mais de 1.500 nódulos adrenais detectados em tomografias contrastadas.

A descoberta incidental de nódulos adrenais tornou-se cada vez mais frequente com a ampla utilização de exames de imagem abdominal. Embora a maioria dessas lesões seja identificada durante investigações não relacionadas à glândula adrenal, a possibilidade de malignidade frequentemente gera ansiedade para pacientes e médicos, além de motivar a realização de exames complementares e seguimento prolongado. 

 

Historicamente, a caracterização de adenomas benignos baseou-se principalmente na densidade observada em tomografias sem contraste, sendo lesões com menos de 10 unidades Hounsfield (HU) consideradas benignas na grande maioria dos casos. Entretanto, muitos incidentalomas são identificados inicialmente em exames contrastados, situação em que a avaliação da densidade torna-se menos confiável e frequentemente gera dúvidas sobre a necessidade de investigação adicional. 

 

Para responder a essa questão, um estudo retrospectivo multicêntrico envolvendo 12 centros acadêmicos norte-americanos avaliou mais de 1.500 incidentalomas adrenais detectados em tomografias contrastadas de pacientes sem histórico conhecido de câncer. Os pesquisadores acompanharam essas lesões por meio de exames subsequentes, estabilidade radiológica ou seguimento clínico prolongado, buscando identificar quantos casos representavam neoplasias malignas. 

Os resultados foram surpreendentes. Entre 1.506 nódulos avaliados, apenas um único caso foi posteriormente identificado como maligno, correspondendo a uma prevalência de aproximadamente 0,1%. O caso envolvia uma mulher de 31 anos cujo nódulo inicialmente media 2,7 cm e somente nove anos após sua identificação evoluiu para o diagnóstico de carcinoma adrenocortical. Nenhuma lesão entre 773 nódulos de 1 a 2 cm foi considerada maligna durante o acompanhamento. 

Esses achados reforçam que incidentalomas adrenais pequenos em pacientes sem câncer conhecido apresentam probabilidade extremamente baixa de malignidade. O estudo sugere que lesões entre 1 e 2 cm identificadas incidentalmente em tomografias contrastadas não necessitam rotineiramente de novos exames de imagem apenas para exclusão de câncer, desde que não existam características clínicas ou radiológicas suspeitas. Tal estratégia pode reduzir custos, exposição à radiação e a chamada “cascata diagnóstica”, frequentemente desencadeada por achados incidentais de baixo risco. 

 

Na prática clínica, a avaliação funcional hormonal continua sendo fundamental, uma vez que a preocupação nesses incidentalomas não é apenas a malignidade, mas também a presença de secreção hormonal autônoma. Entretanto, do ponto de vista oncológico, as evidências atuais indicam que pequenos incidentalomas adrenais detectados em pacientes sem histórico de câncer devem ser encarados como lesões predominantemente benignas, permitindo uma abordagem mais racional e menos intervencionista. 

 

Autoria

Foto de Luciano de França Albuquerque

Luciano de França Albuquerque

Redator em Endopapers. Mestre em Neurociências UFPE. Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Editor associado do livro Endocrinologia Clínica 7a edição 2020. Preceptor da residência em endocrinologia do HC – UFPE.

anuncio endocrinopapers

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Endocrinologia