A administração endovenosa de fluidos e de medicações é prática frequente em pacientes internados, mais comumente realizada através de acesso venoso periférico. Muitas medicações de uso endovenoso não têm alternativa para a administração, tais como as drogas vasopressoras e os quimioterápicos. Devemos refletir bastante sobre a administração de medicações e soluções endovenosas em nossos pacientes hospitalizados, especialmente naqueles que dependem de acesso venoso para os seus tratamentos. Cada vez que agredimos uma veia, talvez uma veia a menos seja disponível para o uso.
A ocorrência de episódios de hipoglicemia no hospital é relativamente frequente, especialmente em pacientes com diabetes mellitus. A hipoglicemia é definida como qualquer glicemia abaixo de 70 mg/dL. Hipoglicemia grave é definida como glicemia abaixo de 40 mg/dL.
Vários estudos mostram que tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia em pacientes hospitalizados estão associados a maior morbimortalidade hospitalar.
Devemos saber prevenir e reconhecer precocemente a hipoglicemia. O uso de muitas medicações antidiabéticas orais não é recomendado para uso hospitalar. Algumas delas têm grande potencial de levar a hipoglicemia.
Dentre os fatores de risco para hipoglicemia hospitalar, estão incluídos: a caquexia, a baixa ingestão nutricional, a gravidade das doenças de base, a idade avançada, insuficiência renal, insuficiência hepática, infecções e o esquema de insulinoterapia hospitalar.
É recomendado que houvesse um protocolo institucional de hipoglicemia nos hospitais.
Embora a solução hipertônica de glicose (soro glicosado a 25% ou a 50%) seja muito utilizada por muitos médicos na correção da hipoglicemia hospitalar, este não é o tratamento preconizado pelos consensos e diretrizes. A administração endovenosa de solução hipertônica de glicose não é isenta de riscos. A infusão de glicose endovenosa pode causar tromboses, flebites e efeitos neurotóxicos pela hiperglicemia. O extravasamento da solução de glicose hipertônica também pode ocorrer, levando a lesões em pele e/ou de partes moles, flebites, perda de membros e até há relatos de morte.
O InsulinAPP é um aplicativo brasileiro que foi desenvolvido por médicos endocrinologistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP que auxilia no controle glicêmico hospitalar. Para o tratamento da hipoglicemia, ele se baseia nas recomendações de consensos de controle glicêmico hospitalar.
O aplicativo está disponível gratuitamente para smartphones com sistemas iOS (iPhone, iPad) e Android, além da versão web para desktops. Para acesso ao Facebook, clique aqui.
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Sugere-se reservar o uso de solução hipertônica de glicose para pacientes em hipoglicemia e que estejam inconscientes e com acesso venoso pérvio. A maioria dos pacientes com hipoglicemia está consciente e a correção com glicose por via oral é mais sensata. É fundamental que o protocolo de hipoglicemia hospitalar envolva uma equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos). Cabe à equipe de Nutrição a padronização do equivalente a 15 g de carboidrato de rápida absorção a ser oferecido ao paciente em hipoglicemia e com nível de consciência preservado.
Como conclusão, é nosso papel tratar adequadamente a hipoglicemia hospitalar, evitando-se o mau uso do acesso venoso. Devemos lembrar que nossas veias são bastante valiosas e que a falta delas pode atrapalhar a administração de medicações, especialmente as de via exclusivamente endovenosas.
Autoria

Marcos Tadashi K. Toyoshima
Graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (2002). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (2003-2004), com 3º ano adicional em Clínica Médica em 2005. Residência Médica em Endocrinologia e Metabologia no Hospital das Clínicas da FMUSP (2006-2007). Foi médico preceptor do Departamento de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas da FMUSP em 2008. Postdoctoral fellow em Endocrinologia pela Emory University (Atlanta - EUA) em 2010 e 2011. Médico assistente da Unidade de Oncologia Endócrina no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Check-up do Hospital Israelita Albert Einstein - São Paulo. Co-fundador do aplicativo InsulinAPP.
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