O novo guideline da American Thyroid Association (ATA) de 2026 sobre tireoide e gestação faz inúmeras recomendações relacionadas ao tratamento e ao seguimento de mulheres gestantes com Doença de Graves, diagnosticadas antes ou durante a gestação. Em relação aos exames que devem ser realizados nestas mulheres, podemos citar a dosagem laboratorial do TSH, do T4 livre (ou T4 total caso se opte pelo seu uso em detrimento à forma livre do hormônio) e, em casos selecionados, a dosagem de TRAb ou de TSI e a ultrassonografia obstétrica (com objetivo de avaliar sinais de hiper ou hipotireoidismo fetal, como a presença de bócio).
O monitoramento laboratorial durante o tratamento com drogas antitireoidianas (DATs) deve ser realizado a cada 2–4 semanas, buscando manter o T4 livre na faixa superior do intervalo de referência ou discretamente acima dela, evitando o excesso de tratamento e o consequente hipotireoidismo fetal. A normalização do TSH não deve ser um alvo almejado. O guideline também reforça que o T3 não deve ser utilizado como alvo terapêutico durante a gravidez, pois suas concentrações maternas não refletem adequadamente o estado tireoidiano fetal e podem levar ao uso excessivo de antitireoidianos.
Assim como no documento de 2017, este novo guideline continua atribuindo importância à dosagem dos anticorpos contra o receptor de TSH durante a gestação, mas com algumas mudanças específicas. Uma das principais alterações é atribuir importância equivalente à dosagem tanto de TRAb como de TSI, de forma que a escolha entre um ou outro é indiferente. Dito isso, o guideline recomenda que todas as gestantes com história de doença de Graves devem realizar a dosagem de TRAb e/ou TSI no primeiro trimestre, embora reconheça que há um risco maior dos títulos estarem aumentados naquelas mulheres que fizeram tratamento prévio com radioiodoterapia ou cirurgia, quando comparadas àquelas que entraram em remissão com a terapia com alguma DAT.
E como interpretar o resultado da dosagem do anticorpo?
- Quando os níveis estão acima de três vezes o limite superior da normalidade, recomenda-se repetição entre 18–22 semanas e, se ainda aumentados, novamente entre 30–34 semanas, além de vigilância fetal específica.
- A partir do momento que os títulos estiverem abaixo do limite citado anteriormente, dosagens subsequentes não são mais necessárias.
E no que implica a positivadade do TRAb e/ou TSI durante a gestação? Um risco aumentado dos anticorpos passarem para o feto através da barreira placentária e causarem doença de Graves fetal e/ou neonatal. Desta forma, os títulos aumentados dos anticorpos implicam na necessidade de realização de ultrassonografia mensal, geralmente mensal a partir de 18–20 semanas. Essa estratégia visa identificar precocemente sinais de hipertireoidismo fetal, como bócio, taquicardia e restrição de crescimento. O guideline também recomenda que gestantes em tratamento com DAT devem se submeter à ultrassonografia mensal a partir de 18–20 semanas.
Autoria

Erik Trovão
Conteudista médico na Afya. Formado em Medicina pela UFCG. Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE. Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM. Mestre em neurociências pela UFPE. Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE
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