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Endocrinologia8 julho 2026

GLP-1 em pacientes críticos: o que muda no manejo na UTI?

Revisão aborda os efeitos gastrointestinais dos agonistas de GLP-1 e orienta o manejo de pacientes críticos previamente expostos a esses fármacos.

Os agonistas do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) são atualmente a classe de medicamentos hipoglicemiantes mais frequentemente prescrita para iniciar o tratamento do diabetes tipo 2 (DM2), sendo utilizados por mais de um terço dessa população. Além de seus efeitos no controle glicêmico e na redução de peso, esses fármacos conferem benefícios cardiovasculares e renais adicionais. 

À medida que cresce o uso de agonistas ao GLP-1, mais pacientes em unidades de terapia intensiva (UTI) apresentarão essa terapia prévia com GLP-1, sendo fundamental que os médicos intensivistas estejam atualizados sobre os principais avanços terapêuticos que ampliaram as indicações desses medicamentos e compreendam como a exposição prévia — devido às suas meias-vidas prolongadas — pode influenciar a apresentação clínica aguda e o manejo do paciente na UTI. 

Embora os efeitos inibitórios gastrointestinais da terapia com GLP-1 estejam bem estabelecidos, não há uma associação clara com complicações em pacientes hospitalizados. O risco de aspiração pulmonar no período perioperatório é baixo, e a terapia com GLP-1 não aumenta claramente esse risco nesse contexto. Da mesma forma, não há associação clara com obstrução do intestino delgado ou pancreatite aguda. É improvável que o impacto potencial na administração de nutrição enteral seja prejudicial durante a fase aguda da doença crítica. 

Metodologia: 

Este artigo de revisão, publicado em 2026 na revista Current Opinion Critical Care, resume as evidências atuais sobre as terapias com GLP-1, incluindo suas propriedades farmacológicas, benefícios, impactos na função gastrointestinal (GI), riscos de efeitos adversos e métodos para monitorar e tratar a disfunção gastrointestinalvisando auxiliar os intensivistas. 

Resultados encontrados e discussão: 

Os autores recomendam a suspensão da terapia com incretinas em cenários agudos, pois atualmente não há dados que orientem a retomada das terapias com incretinas durante a fase de recuperação de doenças críticas e na alta da UTI. Portanto, nãé recomendado a retomada do uso de agonistas dos receptores de GLP-1 (GLP-1RA), no cenário agudo, imediatamente após uma doença crítica.   

Conclusão: 

Os efeitos GI das incretinas incluem a redução da motilidade gástrica e do intestino delgado. Embora a retenção de conteúdo gástrico seja mais provável com o uso de agonistas dos receptores de GLP-1a aspiração pulmonar é um evento perioperatório raro, e as terapias com incretinas não aumentam claramente esse risco. 

Complicações temidas, como obstrução do intestino delgado e pancreatite aguda, também não apresentam associação clara com o tratamento com GLP-1RA. O uso de ultrassonografia gástrica, procinéticos e nutrição pós-pilórica pode desempenhar um papel importante em pacientes que utilizavam GLP-1RA antes da admissão na UTI e que permanecem intolerantes à nutrição enteral após vários dias. 

Pesquisas futuras poderão esclarecer o papel da terapia com GLP-1 no cenário agudo de por estresse em pacientes criticamente enfermos. 

Autoria

Foto de Letícia Japiassú

Letícia Japiassú

Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.

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