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Endocrinologia7 julho 2026

Função gastrointestinal e intervenções nutricionais no choque séptico

Revisão discute como a disfunção gastrointestinal influencia o manejo nutricional no choque séptico e reforça uma abordagem individualizada.

O choque séptico caracteriza-se por uma resposta desregulada à infecção, levando a inflamação sistêmica, disfunção de múltiplos órgãos e mortalidade. A disfunção gastrointestinal (GI) impacta significativamente os desfechos de pacientes com choque séptico, complicando o manejo clínico devido ao seu papel central na inflamação sistêmica, na integridade da barreira intestinal e na assimilação de nutrientes. 

Novas evidências de estudos recentes privilegiam estratégias nutricionais individualizadas em detrimento de metas calóricas padronizadas, destacando riscos associados à nutrição enteral agressiva, como a exacerbação da isquemia intestinal, a distensão abdominal e a disbiose microbiana. A manutenção da perfusão esplâncnica, o monitoramento da disfunção GI com ferramentas padronizadas e a progressão do suporte nutricional com base na tolerância gastrointestinal específica de cada paciente constituem as estratégias atuais. Novas terapias adjuvantes voltadas para a permeabilidade intestinal e a restauração do microbioma têm sido propostas, embora ainda faltem dados clínicos robustos. 

Metodologia: 

Este artigo de revisão, publicado em 2025 na revista Current Opinion in Critical Caresintetiza as evidências atuais sobre o impacto do choque séptico na função gastrointestinal, as interações entre órgãos sob uma perspectiva gastrointestinal, os métodos de monitoramento da disfunção gastrointestinal, as estratégias de manejo dessa disfunção e as intervenções nutricionais. 

Resultados encontrados e discussão: 

A disfunção gastrointestinal no choque séptico decorre da hipoperfusão esplâncnica, da ruptura da barreira e da alteração da motilidade, criando um ciclo vicioso que perpetua a falência de múltiplos órgãos por meio da translocação e da inflamação sistêmica. 

Evidências recentes sugerem que a nutrição enteral precoce e agressiva no choque séptico pode piorar os desfechos, favorecendo uma mudança de paradigma em direção a uma abordagem nutricional mais cautelosa e individualizada.   

Conclusão: 

O manejo clínico deve priorizar a estabilização hemodinâmica e o suporte orgânico, em vez de focar imediatamente em metas nutricionais. O monitoramento sistemático da função GI e a personalização das intervenções nutricionais podem prevenir complicações e favorecer a recuperação. Pesquisas futuras devem validar ferramentas de monitoramento, aprimorar a avaliação individual do paciente e avaliar novas intervenções terapêuticas para melhorar os desfechos centrados no paciente com choque séptico. 

Autoria

Foto de Letícia Japiassú

Letícia Japiassú

Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.

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Referências bibliográficas

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