O choque séptico caracteriza-se por uma resposta desregulada à infecção, levando a inflamação sistêmica, disfunção de múltiplos órgãos e mortalidade. A disfunção gastrointestinal (GI) impacta significativamente os desfechos de pacientes com choque séptico, complicando o manejo clínico devido ao seu papel central na inflamação sistêmica, na integridade da barreira intestinal e na assimilação de nutrientes.
Novas evidências de estudos recentes privilegiam estratégias nutricionais individualizadas em detrimento de metas calóricas padronizadas, destacando riscos associados à nutrição enteral agressiva, como a exacerbação da isquemia intestinal, a distensão abdominal e a disbiose microbiana. A manutenção da perfusão esplâncnica, o monitoramento da disfunção GI com ferramentas padronizadas e a progressão do suporte nutricional com base na tolerância gastrointestinal específica de cada paciente constituem as estratégias atuais. Novas terapias adjuvantes voltadas para a permeabilidade intestinal e a restauração do microbioma têm sido propostas, embora ainda faltem dados clínicos robustos.
Metodologia:
Este artigo de revisão, publicado em 2025 na revista Current Opinion in Critical Care, sintetiza as evidências atuais sobre o impacto do choque séptico na função gastrointestinal, as interações entre órgãos sob uma perspectiva gastrointestinal, os métodos de monitoramento da disfunção gastrointestinal, as estratégias de manejo dessa disfunção e as intervenções nutricionais.
Resultados encontrados e discussão:
A disfunção gastrointestinal no choque séptico decorre da hipoperfusão esplâncnica, da ruptura da barreira e da alteração da motilidade, criando um ciclo vicioso que perpetua a falência de múltiplos órgãos por meio da translocação e da inflamação sistêmica.
Evidências recentes sugerem que a nutrição enteral precoce e agressiva no choque séptico pode piorar os desfechos, favorecendo uma mudança de paradigma em direção a uma abordagem nutricional mais cautelosa e individualizada.
Conclusão:
O manejo clínico deve priorizar a estabilização hemodinâmica e o suporte orgânico, em vez de focar imediatamente em metas nutricionais. O monitoramento sistemático da função GI e a personalização das intervenções nutricionais podem prevenir complicações e favorecer a recuperação. Pesquisas futuras devem validar ferramentas de monitoramento, aprimorar a avaliação individual do paciente e avaliar novas intervenções terapêuticas para melhorar os desfechos centrados no paciente com choque séptico.
Autoria

Letícia Japiassú
Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.
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