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Endocrinologia3 julho 2026

EndoRecife 2026: Tratamento da doença de Graves muda com uso de metimazol

A doença de Graves é uma doença autoimune e a causa mais frequente de hipertireoidismo na população geral. Ela foi tema de uma das sessões do EndoRecife 2026.
Por Redação Afya

A doença de Graves é uma doença autoimune e a causa mais frequente de hipertireoidismo na população geral. Ela foi tema de uma das sessões do primeiro dia do congresso EndoRecife 2026, que tem cobertura do Portal Afya pela médica endocrinologista Júlia Terra Knifis.

Nela, o excesso de hormônios tireoidianos induz um estado hipercatabólico caracterizado por aumento da taxa metabólica basal, da termogênese e do turnover proteico e lipídico. Esse estado resulta em perda de massa muscular e de peso, além de promover aumento da frequência cardíaca, do débito cardíaco e do consumo miocárdico de oxigênio, por também potencializar a sensibilidade às catecolaminas.

Associam-se ainda maior atividade simpática, disfunção endotelial, estado pró-inflamatório e pró-trombótico, mecanismos que contribuem para o aumento do risco de fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e eventos cardiovasculares.

O paciente também pode apresentar manifestações em outros sistemas, como dermopatia, acropatia e oftalmopatia de Graves.

Tratamento da doença de Graves ainda tem o metimazol como base

O tratamento da doença de Graves continua baseado nas drogas antitireoidianas, especialmente o metimazol, que é a primeira escolha na maioria dos pacientes.

Até o momento, não existe um novo medicamento aprovado que substitua o metimazol nesse contexto. Porém, diversos imunomoduladores estão em desenvolvimento clínico e devem atuar justamente na cascata imunológica envolvida na fisiopatologia da doença: a produção de anticorpos contra o receptor de TSH, que ativa linfócitos CD4 e aumenta a produção de hormônios tireoidianos pela estimulação do receptor de TSH.

Com isso, o alvo do tratamento vem sendo modificado. A estratégia deixa de estar focada apenas na tireoide e passa a considerar também a atuação no sistema imunológico.

Uso prolongado de metimazol ganha espaço na prática clínica

A grande mudança está na tendência de manter o tratamento com metimazol por um período mais prolongado.

Previamente, o tempo recomendado era de 12 a 18 meses com a droga antitireoidiana. Após esse período, caso não entrasse em remissão, o paciente seria encaminhado para uma segunda linha de tratamento, como cirurgia ou radioiodo.

Atualmente, sabe-se que os efeitos adversos, que eram a maior preocupação com o uso dessa droga, quando ocorrem, tendem a aparecer justamente no início do tratamento. Esse entendimento traz maior segurança para o uso em longo prazo.

Assim, a tendência atual é manter os pacientes em uso de Tapazol por um período maior, como 3 a 5 anos ou mais. Essa estratégia pode aumentar as taxas de remissão e reduzir o risco de recorrência, especialmente em pacientes que permanecem com TRAb positivo após o tratamento inicial.

Radioiodo e cirurgia seguem como alternativas terapêuticas

O radioiodo continua sendo uma opção relevante no tratamento da doença de Graves.

A cirurgia, por sua vez, acaba ficando em segundo plano pelos riscos inerentes ao procedimento, como lesão de nervo laríngeo recorrente e hipoparatireoidismo.

Oftalmopatia de Graves concentra as principais novidades

Na doença ocular, há novidades importantes. O anticorpo monoclonal teprotumumabe revolucionou o tratamento da oftalmopatia de Graves moderada a grave ativa, com redução de proptose e inflamação.

A terapia já está aprovada e vem sendo utilizada no Brasil, embora o custo ainda limite o acesso.

O veligrotug, comercializado como Lumvoa, é outro anticorpo monoclonal da mesma classe e também foi aprovado pelo FDA para o tratamento da oftalmopatia de Graves, tornando-se o segundo inibidor de IGF-1R aprovado para essa indicação. Porém, ainda não se encontra disponível no Brasil.

Tratamento da doença de Graves aponta para uma abordagem imunológica

O tratamento da doença de Graves, depois de décadas focado apenas na glândula tireoide, está se deslocando para o sistema imune. Esse movimento amplia as possibilidades terapêuticas e pode modificar a forma como a doença é manejada nos próximos anos.

#Conteúdo otimizado com o auxílio de IA e revisado pela equipe do Portal Afya.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

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