Os análogos de GLP-1 são as medicações mais em alta do momento para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Em meio a tantos benefícios dessa classe medicamentosa, recentemente foi publicado um estudo que visou avaliar a eficácia e segurança dessas medicações em pacientes pós bariátrica. Vamos destrinchar o que o artigo nos trouxe de informações.

Introdução:
A obesidade é um problema de saúde a nível mundial, afetando aproximadamente 890 milhões de adultos. Ela está associada com diversas outras doenças metabólicas e aumento de risco cardiovascular.
A cirurgia bariátrica é considerada o tratamento padrão ouro para obesidade severa ou obesidade com comorbidades associadas ao peso.
Muitos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica enfrentam desafios com o reganho de peso pós cirúrgico. As mudanças de estilo de vida são necessárias, porém com impacto limitado na manutenção da perda de peso.
Os análogos de GLP-1 vêm demonstrando efeitos promissores na perda ponderal , melhorando diversos marcadores metabólicos. No entanto, a sua eficácia em pacientes pós bariátrica ainda permanece incerta.
O objetivo do presente estudo foi justamente tentar elucidar as vantagens que essas medicações podem trazer nesse perfil de pacientes.
Metodologia:
Em base de dados eletrônicas, foram selecionados um total 6 estudos até Março de 2025 que compararam os análogos de GLP-1 com placebo em pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica.
Os critérios de inclusão foram: ensaios clínicos randomizados (ECRS), estudos com comparação entre análogos de GLP-1 e placebo, estudos com pacientes submetidos à cirurgia bariátrica e estudos que reportaram pelo menos um dos desfechos de interesse.
Os desfechos avaliados foram perda ponderal, índice de massa corporal (IMC), níveis de colesterol total, triglicerídeos, glicemia de jejum, pressão arterial, níveis de hemoglobina glicada (Hba1c) e efeitos adversos.
Resultados:
De 541 ECRS, 6 preencheram os critérios de inclusão, incluindo 401 participantes, com tempo de seguimento variando entre 12 e 56 semanas, com média de idade dos pacientes de 47,7 anos e com a maioria sendo mulheres (73,3%). A dose de análogo de GLP-1 mais avaliada dos estudos variou de 1,8 a 3mg.
Os resultados comprovaram que os análogos de GLP-1 quando comparados ao placebo promoveram: perda de peso (-5,96kg), Redução de IMC (-3,08kg/m²), Redução dos níveis de colesterol total (- 11,60 mg/dl) e menores níveis de Hba1c ( -0,39%).
Efeitos adversos como náuseas foram mais comuns nos pacientes que estavam em uso de análogos de GLP-1 e não foram observadas alterações significativas de pressão arterial, níveis de triglicerídeos ou glicemia de jejum em ambos os grupos.
Discussão:
A presente meta-análise que incluiu 6 ECRS teve como objetivo avaliar o impacto dos análogos de GLP-1 na saúde cardiometabólica de pacientes pós bariátrica.
Os achados do presente artigo revelam que os análogos de GLP-1 quando administrados pós bariátrica podem promover benefícios importantes na saúde metabólica e glicêmica desse perfil de pacientes.
Como qualquer estudo, esse também contou com alguns pontos limitantes, sendo os principais: diferenças étnicas e de gênero entre os estudos, o que inviabilizou a generalização dos resultados e a análise de dados não foi específica para cada tipo de cirurgia bariátrica.
Conclusão e Mensagem prática:
A presente meta-análise demonstrou o potencial efeito dos análogos de GLP-1 em otimizar a perda ponderal e desfechos metabólicos em pacientes pós bariátrica.
Melhoras importantes foram observadas na perda ponderal, redução do IMC, níveis de colesterol total e Hba1c.
No entanto, as evidências ainda são limitadas a uma amostragem populacional pequena e com tempo de seguimento curto, o que aumenta a necessidade de que mais estudos sejam realizados para comprovar a eficácia e segurança dessas medicações a longo prazo quando associadas à mudanças de estilo de vida.
Autoria

Juliane Braziliano
Médica graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). Editora-médica de Endocrinologia do Portal Afya.
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