Diversos estudos clínicos nas últimas décadas já demonstraram a eficiência das estratégias de redução do LDL colesterol na prevenção de eventos cardiovasculares. A recente diretriz brasileira de dislipidemias propôs a classificação do risco cardiovascular extremo, com objetivo de reduzir o LDLc para níveis menores que 40mg/dl. Tal meta reforça a indicação de associação de outros agentes à terapia padrão com estatinas, sendo os inibidores do PCSK9 os agentes mais potentes nessa redução.
Métodos
Nesse contexto, o estudo CORALreef Lipids, recém-publicado na NEJM, avaliou a eficácia e segurança do enlicitide, um inibidor oral da PCSK9, em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida ou com alto risco para eventos cardiovasculares e níveis elevados de LDL-colesterol apesar do tratamento padrão. O ensaio clínico de fase 3 foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com duração de 52 semanas, envolvendo mais de 2.900 participantes em diversos países. O principal objetivo foi avaliar a redução percentual do LDL-colesterol após 24 semanas de tratamento.
Resultados
O tratamento com enlicitide, em dose diária de 20mg, promoveu redução significativa do LDL-colesterol em comparação ao placebo. Após 24 semanas, houve diminuição média de aproximadamente 57% nos níveis de LDL no grupo ativo. O nível médio de LDLc ao final do estudo foi de 38,7 mg/dl com 67,5% dos pacientes atingindo valores abaixo de 55mg/dl (meta para pacientes de muito alto risco segundo diretrizes americanas). Resultados semelhantes foram mantidos ao longo de 52 semanas de acompanhamento.
Além do LDL-colesterol, o enlicitide também reduziu significativamente outros marcadores lipídicos aterogênicos, como colesterol não-HDL, apolipoproteína B e lipoproteína(a). Tais resultados são similares aos estudos anteriores com agentes como o evolucumabe e o inclisiran, reforçando o potencial do fármaco como estratégia adicional para pacientes que permanecem fora das metas terapêuticas com tratamentos convencionais.
Considerações relevantes e mensagem prática
Quanto à segurança, a incidência de eventos adversos foi semelhante entre os grupos, sem sinais relevantes de aumento de efeitos colaterais com o uso do enlicitide. A adesão ao tratamento foi elevada, sugerindo boa tolerabilidade e viabilidade do uso diário por via oral. Em conjunto, os resultados indicam que o enlicitide pode representar uma alternativa promissora aos inibidores de PCSK9 injetáveis, ampliando as opções terapêuticas para redução intensiva do LDL-colesterol e potencial prevenção de eventos cardiovasculares.
Autoria

Luciano de França Albuquerque
Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco • Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro – BA • Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE • Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia • Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa
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