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Endocrinologia19 dezembro 2025

Efeito da tirzepatida sobre eventos cardiovasculares: resultados do SUSPASS-CVOT

O estudo SURPASS-CVOT teve como objetivo principal avaliar se a tirzepatida seria não inferior, e potencialmente superior, à dulaglutida em pacientes com DM2.
Por Erik Trovão

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) associa-se a elevado risco cardiovascular, e os agonistas do receptor de GLP-1 já demonstraram redução de eventos cardiovasculares maiores em populações de alto risco. A tirzepatida, um agonista duplo dos receptores de GLP-1 e GIP, apresenta efeitos metabólicos superiores em comparação aos agonistas seletivos de GLP-1, porém seus desfechos cardiovasculares ainda eram incertos. O estudo SURPASS-CVOT teve como objetivo principal avaliar se a tirzepatida seria não inferior, e potencialmente superior, à dulaglutida quanto à ocorrência de eventos cardiovasculares em pacientes com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida. 

 Métodos

Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por comparador ativo, conduzido em 640 centros de 30 países. Foram incluídos pacientes com idade ≥40 anos, DM2 (HbA1c entre 7,0% e 10,5%), IMC ≥25 kg/m² e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida. Os participantes foram randomizados na proporção 1:1 para receber tirzepatida semanal (dose titulada até 15 mg) ou dulaglutida 1,5 mg semanal. O desfecho primário foi um composto de morte por causa cardiovascular, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral. 

 Resultados

Ao final, a análise incluiu 13.165 indivíduos (6.586 no grupo tirzepatida e 6.579 no grupo dulaglutida). A idade média foi de 64 anos, cerca de 29% eram mulheres, o IMC médio foi de 32,6 kg/m² e a duração média do diabetes foi de aproximadamente 15 anos. O seguimento mediano foi de 4 anos. 

O desfecho primário ocorreu em 12,2% dos pacientes tratados com tirzepatida e em 13,1% daqueles tratados com dulaglutida, resultando em um hazard ratio de 0,92 (IC 95,3%: 0,83–1,01). A tirzepatida demonstrou não inferioridade em relação à dulaglutida (p=0,003 para não inferioridade), mas não atingiu critério estatístico de superioridade (p=0,09). As análises dos componentes individuais do desfecho primário mostraram tendências favoráveis à tirzepatida, sem diferenças estatisticamente significativas. 

Entre os desfechos secundários, observou-se redução significativa do desfecho composto ampliado (morte cardiovascular, infarto, AVC ou revascularização coronariana) no grupo tirzepatida. Além disso, houve menor mortalidade por todas as causas no grupo tirzepatida em comparação à dulaglutida (hazard ratio 0,84; IC 95%: 0,75–0,94), resultado considerado exploratório. Do ponto de vista metabólico, a tirzepatida promoveu reduções significativamente maiores de HbA1c, peso corporal, triglicerídeos e pressão arterial sistólica, bem como menor declínio da taxa de filtração glomerular estimada em pacientes com doença renal crônica de alto risco. 

 Conclusão e mensagem prática

O perfil de segurança foi globalmente semelhante entre os grupos, com incidência comparável de eventos adversos graves e hipoglicemia grave. Eventos gastrointestinais foram mais frequentes com a tirzepatida, em concondância com seu mecanismo de ação. Em conclusão, em pacientes com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, a tirzepatida foi não inferior à dulaglutida na prevenção de eventos cardiovasculares maiores, associando-se a benefícios metabólicos mais pronunciados, o que reforça seu papel como opção terapêutica eficaz e segura nessa população de alto risco. 

 

Autoria

Foto de Erik Trovão

Erik Trovão

Formado em Medicina pela UFCG •Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE •Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE •Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM •Mestre em neurociências pela UFPE •Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE

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