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Endocrinologia26 fevereiro 2026

Diretriz ADA 2026: GLP-1 no diabetes tipo 1 e obesidade

ADA 2026 aborda uso de GLP-1 em DM1 com obesidade. Veja indicações, riscos e como prescrever com segurança.
Por Ícaro Sampaio

Em dezembro de 2025, foram publicadas as diretrizes anuais para tratamento do diabetes mellitus da American Diabetes Association (ADA). As recomendações da ADA são válidas para o ano de 2026 e costumam nortear as condutas adotadas para manejo da hiperglicemia, suas complicações e condições associadas. No documento publicado uma grande novidade chamou a atenção: uma recomendação sobre uso de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RA) em pacientes com diabetes tipo 1 e obesidade.

GLP-1 no diabetes tipo 1

GLP-1 e diabetes tipo 1

A prevalência de sobrepeso (30–40%) e obesidade (15–30%) em pessoas com DM1 é semelhante à da população geral. No entanto, em indivíduos com DM1, a obesidade se associa a maior carga de doença cardiovascular e complicações microvasculares. Infelizmente, ainda há grande necessidade de intervenções específicas baseadas em evidência para o tratamento da obesidade no DM1, mas estudos transversais e ensaios iniciais mostram resultados positivos do uso de GLP-1 RA e cirurgia metabólica em pessoas com DM1 e obesidade.

Embora pessoas com DM1 tenham sido excluídas da maioria dos grandes ensaios clínicos sobre perda de peso com GLP-1 RA em obesidade ou DM2, dados do “mundo real” sugerem benefícios em redução de peso, melhora de HbA1c e menores necessidades de insulina.

Os ensaios ADJUNCT ONE e ADJUNCT TWO avaliaram liraglutida em diferentes doses por 52 e 26 semanas em pessoas com DM1 de longa duração. A dose de 1,8 mg/dia associou-se a redução de aproximadamente 6% do peso. Entretanto, houve aumento de 20–30% nas taxas de hipoglicemia em todas as doses e duplicação do risco de hiperglicemia com cetose na dose de 1,8 mg. Fatores como redução do apetite, menor ingestão calórica e redução das doses de insulina parecem contribuir para o risco de cetose associado ao uso de GLP-1 RA.

Podem favorecer o benefício do tratamento com GLP-1 RA no DM1:

– Apneia obstrutiva do sono;

– MASH (doença hepática metabólica com inflamação);

– Doença arterial coronariana.

Condições que geralmente desestimulam o início da terapia:

– Gastroparesia preexistente;

– Histórico de hipoglicemias assintomáticas;

– Episódio recente de cetoacidose diabética ou cetoacidose euglicêmica.

Conclusões

A decisão de iniciar um GLP-1 RA em paciente com DM1 deve ser precedida de revisão detalhada dos efeitos adversos e conversa centrada na pessoa sobre objetivos e expectativas. Os protocolos de escalonamento de dose validados para DM2 não devem ser aplicados ao DM1. A titulação deve ser mais cautelosa e acompanhada de monitorização frequente de insulina e hipoglicemias.

Autoria

Foto de Ícaro Sampaio

Ícaro Sampaio

  • Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
  • Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
  • Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
  • Médico Assistente e Preceptor no Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da UFPE

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