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Endocrinologia7 julho 2026

Desnutrição pré-existente na UTI

Revisão discute diagnóstico pelo GLIM, impacto clínico e estratégias nutricionais para desnutrição preexistente na UTI.

A desnutrição preexistente – definida como a desnutrição presente no momento da admissão na UTI – representa um determinante crítico dos desfechos em terapia intensiva. Estudos recentes que aplicaram os critérios GLIM (Iniciativa de Liderança Global sobre Desnutriçãoentre 24 e 72 horas após a admissão na UTI relatam prevalência de desnutrição variando de 38% a 68%. A aplicação dos critérios dGLIM fornece uma estrutura padronizada para o diagnóstico de desnutrição na admissão à UTI, integrando componentes fenotípicos e etiológicos. 

Distinguir a desnutrição preexistente do risco nutricional” é essencial, pois a primeira denota um déficit estabelecido de nutrientes e proteínas antes do início da doença crítica e a segunda está associada à permanência prolongada na UTI, maiores taxas de infecção e reabilitação tardia. Embora a desnutrição preexistente possa não influenciar marcadamente os desfechos de curto prazo, como a mortalidade em 7 dias, sua influência se estende além da fase aguda, impactando as trajetórias de médio e longo prazo por meio de disfunção orgânica, risco de infecção, perda muscular persistente e potencial de reabilitação prejudicado. As evidências atuais não apoiam a alimentação completa precoce durante a fase aguda, mesmo em pacientes com desnutrição preexistente, mas destacam a necessidade de reabilitação nutricional sustentada e individualizada após a alta da UTI e além. 

Metodologia: 

Esta revisão, publicada em abril de 2026 na revista Current Opinion Critical Care resume as evidências recentes sobre o diagnóstico, prevalência, significado clínico e terapia nutricional na desnutrição preexistente, enfatizando o papel da estrutura da Iniciativa de Liderança Global sobre Desnutrição (GLIM). 

Resultados encontrados e discussão: 

A desnutrição preexistente em pacientes críticos está associada ao desenvolvimento de disfunção orgânica, incluindo lesão renal. A baixa massa muscular esquelética reflete uma depleção geral de proteína corporal, levando à déficit na imunidade e a um risco aumentado de infecções de início tardio. Consequentemente, pacientes desnutridos tendem a necessitar de ventilação mecânica prolongada e internações em UTI, aumento do risco de complicações secundárias, e, em última análise, aumento da mortalidade.   

Conclusão: 

A desnutrição preexistente é comum e tem impacto clínico significativo em adultos gravemente enfermos. Incorporar o diagnóstico padronizado baseado no GLIM na prática da UTI permite o reconhecimento precoce e estratégias nutricionais personalizadas ao longo do processo de cuidados intensivos e recuperação. 

A abordagem da desnutrição em terapia intensiva deve transcender o paradigma tradicional centrado na oferta calórica e incorporar um modelo de cuidado contínuo, abrangendo rastreamento precoce, terapia nutricional individualizada e reabilitação nutricional após a alta da UTI. São necessários estudos que avaliem o impacto de reavaliações periódicas utilizando os critérios GLIM, associadas ao monitoramento metabólico e ao suporte nutricional pós-alta, com potencial para reduzir desfechos adversos de longo prazo. 

Autoria

Foto de Letícia Japiassú

Letícia Japiassú

Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.

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