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Endocrinologia10 abril 2026

Corrida reduz mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares

Corrida por lazer reduz mortalidade geral e cardiovascular em até 45%, mesmo em baixas doses, reforçando seu papel na promoção da saúde e longevidade.

A corrida e, principalmente a corrida de rua, vem se tornando cada vez mais popular na sociedade brasileira e a nível mundial. Simples, flexível, democrática e gratuita, a corrida vem ganhando papel de destaque para aqueles que buscam ter uma vida saudável com pouco custo. No entanto, pouco se sabe sobre os reais benefícios que a corrida pode proporcionar, principalmente em relação à mortalidade. 

Um artigo não tão recente, mas que já vislumbrava os potenciais efeitos da corrida na saúde, visou avaliar a associação entre corrida e redução de mortalidade por todas as causas e por causas cardiovasculares. Vamos ver quais foram os achados interessantes que o estudo nos trouxe. 

Introdução 

A atividade física traz inúmeras vantagens à saúde física e mental. As atuais recomendações são de que sejam realizados 150 minutos semanais de atividade física aeróbica de moderada intensidade (o que pode incluir a corrida nesse cenário), além de duas a três semanas de atividades resistidas como musculação. 

Dada a grande popularidade que a corrida vem ganhando, é interessante que haja pesquisas no intuito de estudar todos os benefícios que tal atividade pode proporcionar. 

O presente estudo foi conduzido para investigar se a corrida por lazer é capaz de reduzir mortalidade por todas as causas, principalmente as cardiovasculares e se caso essa associação exista, se ela é dependente da distância, da velocidade e da frequência. 

Metodologia 

O estudo longitudinal do centro de aeróbicas foi um estudo de coorte observacional prospectivo que visou avaliar os efeitos da atividade física em diversos desfechos de saúde. 

Os participantes eram encaminhados pelos seus chefes ou próprios médicos para o Centro de Aeróbicas (Cooper Clinic) em Dallas no Texas, para exames médicos preventivos.  

Essa coorte selecionou primeiramente indivíduos não hispânicos brancos, adultos (>18 anos) de média a alta classe social. Contou então com homens e mulheres de 18 a 100 anos de idade (média de 44 anos) que foram avaliados no período entre 1974 e 2002. Dos 60.603 participantes, 3.294 foram excluídos por terem apresentado câncer, Infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente cerebral vascular (AVC) e 2.172 por mortalidade < 1 ano do período de seguimento. 

Ao final, foram recrutados 55.137 indivíduos (26% mulheres) para análise de mortalidade por todas as causas e 52.941 para análise de mortalidade cardiovascular depois da exclusão de 2.196 pessoas por mortalidade de outras causas sem ser a cardiovascular. 

No início do estudo, a corrida foi avaliada se era feita até 3 meses antes de o estudo começar pelo autorrelato dos pacientes. Os participantes recebiam questionários sobre duração, distância, frequência e velocidade. Quem respondesse pelo menos 1 das perguntas relacionadas à corrida era considerado “corredor”, enquanto os que não respondiam nenhuma eram considerados ” não-corredores”.  

Quanto ao exame físico e laboratorial, os participantes eram avaliados por médicos quanto à pressão arterial, níveis de colesterol, índice de massa corporal (IMC), análise cardiorespiratória e perguntas sobre estilo de vida que envolviam tabagismo, consumo de álcool, prática de atividade física, presença de condições clínicas entre outros. 

Resultados 

Foram registradas 3413 mortes por todas as causas e 1217 mortes por doenças cardiovasculares ao longo de 14,7 e 14,6 anos de seguimento, respectivamente. 

No início do estudo, corredores tenderam a ser: do sexo masculino, jovens, magros, menos propensos a fumar, mais propensos a participar de outras atividades físicas, com menos doenças crônicas e melhor desempenho cardiorrespiratório. 

Comparado com os não corredores, os corredores, tiverem 30% e 45% menos risco para morte por todas as causas e por causas cardiovasculares, respectivamente. Tal associação foi consistente para sexo, idade, IMC, presença de outras condições médicas, status de tabagismo e de consumo alcóolico. Além disso, os não-corredores apresentaram um decréscimo em expectativa de vida em 3 anos quando comparados aos corredores. 

Tais benefícios para os corredores foram demonstrados independentemente da distância percorrida, da velocidade e da frequência semanal com que corriam, ou seja, correr trouxe benefícios mesmo entre os corredores mais esporádicos, de curtas distâncias e de velocidades mais lentas. 

Discussão 

Os três principais achados do estudo foram: corredores têm menor risco para morte por todas as causas e por doenças cardiovasculares quando comparados a não corredores, correr mesmo que em menores doses e velocidades maiores traz benefício em termos de mortalidade e a corrida persistente ao longo dos anos é que está mais fortemente associada à redução da mortalidade. 

Tais achados trazem a reflexão de que sair do sedentarismo, mesmo que em pequenas doses de caminhada e corrida, pode trazer uma redução de 16% de mortes por todas as causas e 25% por mortes por doenças cardiovasculares, segundo o estudo. 

Como qualquer estudo, esse contou com pontos fortes e limitantes. Os pontos fortes foram: amostra populacional grande, com ampla faixa etária sendo acompanhada; extenso acompanhamento da mortalidade; análises abrangentes e controle de potenciais fatores de confusão, incluindo outras atividades que não envolvem a corrida. 

Já como pontos de limitação, o estudo avaliou um perfil de pacientes de classes socioeconômicas similares (média a alta) o que pode ter prejudicado a generalização dos dados, o uso de auto-relato de corrida 3 meses antes do estudo e ausência de dados relacionados à dieta. 

Conclusão e mensagem prática 

O presente estudo mostrou com dados consistentes os benefícios da corrida em termos de mortalidade. Ele revelou que mesmo em baixas doses (correr de 5-10 minutos por dia), correr traz benefícios substanciais à saúde. 

No entanto, ainda carecemos de mais estudos que possam distinguir se os variados tipos de corrida, velocidades e frequências semanais impactam em outros setores da saúde humana. 

Autoria

Foto de Juliane Braziliano

Juliane Braziliano

Médica formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Editora Médica de Endocrinologia do Portal Afya e Whitebook

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