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Endocrinologia11 fevereiro 2026

Comparação da eficácia de drogas antidiabéticas para pacientes com DM2 e MASLD

Diversos medicamentos, como ertuglifizona, liraglutida, semaglutida e empaglifozina, tiveram os efeitos comparados neste estudo relevante.

Com o avançar da ciência, muitas das medicações antidiabéticas passaram a comprovar eficácia em outros âmbitos tais como: proteção renal e cardiovascular, perda ponderal e melhora dos parâmetros hepáticos em pacientes com doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD).  

Sendo assim, recentemente foi publicado um artigo cujo objetivo foi exatamente esse: comparar a eficácia de algumas medicações antidiabéticas em pacientes com DM2 e MASLD. Vamos ver o que artigo nos trouxe de relevante. 

 

Introdução: 

A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) é, como o próprio nome diz, uma doença do fígado fortemente associada à disfunção metabólica e caracterizada por acúmulo de gordura e prejuízo da função hepática. 

Sua incidência vem crescendo dada à forte associação com outras condições também em ascensão tais como: resistência insulínica e obesidade. Entre os pacientes com DM2, é estimado que aproximadamente 70% possam apresentar MASLD. 

Sendo assim, o presente estudo visou realizar uma meta-análise para avaliar e comparar a eficácia de diversas medicações antidiabéticas em pacientes com DM2 e MASLD. 

 

Metodologia

Os critérios de inclusão foram: escolha de ensaios clínicos randomizados (ECRS), com participantes com idade > 18 anos diagnosticados com DM2 e MASLD; com as seguintes medicações avaliadas: tiazolidinedionas, inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (inibidores de SGLT-2), inibidores da dipeptidil-peptidase-4 (inibidores da DPP-4), agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1RAs), agonistas duplos do receptor de GLP-1/recepetor de glucagon (GLP-1R/GCGR), agonistas triplos do receptor de GLP-1/receptor do polipeptídeo inibidor gástrico/receptor de glucagon (GLP-1R/GIPR/GCGR), sulfonilureias, metformina ,  insulina, terapia dietética ou modificações do estilo de vida e com os desfechos primários analisados: alanina aminotransferase (TGO), aspartate amino transferase (TGP) e outros marcadores relacionados à função hepática. 

Foram coletados estudos até o período de 20 de abril de 2025 com desfechos primários analisados: TGP,TGO e triglicerídeos (TG). Desfechos secundários analisados foram: HDL,LDL, glicemia de jejum (GJ) , índice de massa corporal (IMC) e hemoglobina glicada (Hba1c). 

 

Resultados

Foram um total de 21 ensaios clínicos randomizados envolvendo 1717 participantes e comparando 15 medicações antidiabéticas. Os estudos ocorrem nos seguintes países: Japão, China, Irã, Paquistão, Índia, Egito e Holanda. 

Destrinchando os resultados: 

  • Redução de TGP: ertuglifozina foi a mais eficaz, enquanto glimepirida e glicazida as menos eficazes. 
  • Redução de TGO: ertuglifozina foi a mais eficaz, seguida da pioglitazona. Em contrapartida, sitagliptina, ryblesus e glimepirida foram as menos eficazes. 
  • Redução de TG: ertuglifozina, liraglutida e exenatide foram as mais eficazes na redução de TG.  
  • Redução IMC: ertuglifozina , Ozempic e exenatide foram as drogas mais eficazes no IMC, enquanto glicazida, insulina e metformina lideraram o ranking das menos eficazes. 
  • Redução de Hba1c: ertuglifozina, liraglutida e exenatide foram as mais eficazes na redução da Hba1c,  contrastando com metformina e sitagliptina. 
  • Aumento deHDL: ertuglifozina liderou o ranking de melhora de HDL seguida pela metformina e liraglutida. empaglifozina e glimepirida foram as menos eficazes. 
  • Redução deLDL: liraglutida, exenatide e metformina foram as mais eficazes na redução de LDL enquanto glimepirida e dapaglifozina foram as menos eficazes. 
  • Rigidez hepática: empaglifozina e pioglitazona ganharam destaque na melhora desse parâmetro. 

 

Em resumo: a ertuglifozina (droga ainda não comercializada no Brasil)  se mostrou a mais eficaz em redução dos níveis de TGO e TGP, seguida pela piglitazona e metformina. Além disso, também mostrou benefícios nos TG, HDL, LDL e na rigidez hepática. 

Discussão: 

Esse foi um estudo de grande relevância ao tentar avaliar os efeitos de algumas medicações antidiabéticas e seus efeitos na MASLD.  A ertuglifozina ganhou papel de destaque ao melhorar os níves de TGP, TGP, redução dos níveis de TG, IMC, LDL e aumentar os de HDL, o que revela um papel promissor da droga no tratamento de pacientes com ambas as condições: DM2 e MASLD. 

No entanto, como qualquer estudo, ele também contou com algumas limitações, tais como: heterogeneidade dos estudos analisados (incluindo variações na doses, duração do tratamento, a população estudada e o tempo de seguimento), variação demográfica e étnica dos estudos, diferenças de imunoensaios para análise de TGO e TGP, alguns mecanismos de ação das medicações antidiabéticas no fígado ainda não são totalmente claras, o que pôde comprometer os achados e por fim, todas as terapias avaliadas foram monoterapias, o que também compromete a veracidade dos resultados. 

 

Conclusão: 

Ertuglifizona se destacou como a mais efetiva dentre as medicações avaliadas para promover melhora nos parâmetros metabólicos de pacientes com DM2 e MASLD, podendo ser uma droga promissora para esses pacientes. 

No entanto, tais resultados ainda merecem ser avaliados com mais cautela de modo que mais estudos são necessários para confirmar tais achados. 

Autoria

Foto de Juliane Braziliano

Juliane Braziliano

Médica formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Editora Médica de Endocrinologia do Portal Afya e Whitebook

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