A perimenopausa corresponde ao período que se inicia com a irregularidade menstrual ou com o aparecimento dos primeiros sintomas relacionados à menopausa e se estende até 12 meses após a última menstruação. Essa fase é caracterizada por grande variabilidade dos níveis de estradiol e progesterona, resultando em manifestações clínicas heterogêneas, como sintomas vasomotores, distúrbios do sono, alterações do humor e irregularidades menstruais. Embora a fertilidade esteja reduzida, a ovulação ainda pode ocorrer, tornando a contracepção um aspecto fundamental do manejo clínico dessa população. No entanto, uma dúvida frequente é: qual o método contraceptivo hormonal com melhor perfil de segurança nessa fase da vida?
A escolha do método contraceptivo deve ser individualizada, considerando principalmente o risco cardiovascular da paciente. Mulheres na perimenopausa sem fatores de risco cardiovasculares e não fumantes podem utilizar contraceptivos hormonais combinados (orais, adesivos ou anel vaginal) até a menopausa, uma vez que esses métodos oferecem simultaneamente contracepção eficaz e controle dos sintomas.
Além da contracepção, os contraceptivos hormonais combinados oferecem benefícios adicionais relevantes durante a perimenopausa. Seu uso está associado à redução do risco de câncer de endométrio e de ovário, sendo que a proteção contra câncer ovariano pode persistir por décadas após a interrupção do tratamento. Evidências também sugerem aumento da densidade mineral óssea e redução do risco de fratura de quadril no período pós-menopausa. Em relação ao câncer de mama, os dados são tranquilizadores: a maior parte dos estudos não demonstra aumento significativo do risco, embora algumas publicações apontem discreto aumento absoluto, de pequena magnitude clínica.
Em mulheres com fatores de risco cardiovasculares e/ou tabagistas, o contraceptivo hormonal combinado, especialmente aqueles que contém etinilestradiol, deve ser evitado. Essas mulheres devem receber preferencialmente métodos contendo apenas progestagênio, como pílulas de progestagênio isolado, implante de etonogestrel, acetato de medroxiprogesterona de depósito ou dispositivos intrauterinos de cobre ou levonorgestrel. Porém, essas opções não tratam os sintomas vasomotores.
Mensagem prática
Dessa forma, para pacientes com risco cardiovascular aumentado necessitando de contracepção e de controle dos sintomas vasomotores, a combinação de estrogênio transdérmico em doses para terapia menopausal com dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel representa uma alternativa eficaz para controle sintomático, prevenção da hiperplasia endometrial, redução do sangramento uterino e manutenção da contracepção. Quando não há necessidade contraceptiva, o uso contínuo de estradiol transdérmico associado à progesterona micronizada constitui uma excelente opção terapêutica.
Autoria

Erik Trovão
Redator em Endopapers. Formado em Medicina pela UFCG. Residência em Clínica Médica pelo HBL-SUS/PE. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE. Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM Mestre em neurociências pela UFPE. Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE.
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