O diabetes mellitus gestacional (DMG) está associado a desfechos adversos tanto para as mães quanto para os bebês e contribui para o aumento dos custos de assistência à saúde. Intervenções de mudança de comportamento, como a prática de atividade física e a adoção de uma dieta específica, poderiam prevenir o DMG.
Apesar da existência de muitos ensaios clínicos e metanálises de dados agregados sobre os efeitos de intervenções no estilo de vida, os resultados mostraram-se limitados devido à variabilidade na forma como os dados agregados eram relatados. Para superar essas limitações, estudos com dados individuais de participantes podem oferecer uma avaliação mais detalhada dos efeitos das intervenções.
Como a metanálise avaliou dieta e atividade física?
Essa meta-análise, publicada em maio de 2026 pela NIHR (National Institute for Health and Care Research), teve como objetivo buscar dados individuais de participantes (individual participant data, IPD) provenientes de ensaios clínicos randomizados.
O objetivo foi avaliar os efeitos de intervenções no estilo de vida baseadas em atividade física e/ou dieta durante a gravidez sobre o diabetes gestacional e analisar se esses efeitos variam de acordo com características maternas, como índice de massa corporal, idade, paridade, etnia e escolaridade, além de características da intervenção.
Também foi realizada uma análise de custo-efetividade.
As intervenções foram avaliadas quanto à eficácia utilizando meta-análise em rede, e foi conduzida uma avaliação econômica baseada em modelos para avaliar a custo-efetividade.
A análise de custo-efetividade adotou a perspectiva de custos do NHS, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, comparando uma intervenção abrangente no estilo de vida com o cuidado habitual, considerando o período desde o início da gravidez até a alta hospitalar da mãe e do recém-nascido após o parto.
Quais intervenções reduziram o risco de diabetes gestacional?
As intervenções no estilo de vida reduziram as chances de diabetes gestacional em 10%.
A atividade física reduziu significativamente as chances de diabetes gestacional em 36%, e a dieta em 19%. Já as intervenções combinadas não apresentaram redução significativa.
Mulheres com nível de escolaridade médio e alto beneficiaram-se mais do que aquelas com baixo nível de escolaridade. Não houve diferenças quanto ao índice de massa corporal materno, idade, paridade ou etnia.
Não houve redução significativa no diabetes gestacional definido pelos critérios do National Institute for Health and Care Excellence (razão de chances 0,98; intervalo de confiança de 95% de 0,84 a 1,13) nos ensaios com dados individuais dos participantes.
Para o diabetes gestacional definido pelos critérios da International Association of Diabetes in Pregnancy Study Group, as intervenções reduziram o diabetes gestacional em 14% nos ensaios com dados individuais dos participantes e em 17% quando ensaios sem dados individuais dos participantes foram incluídos.
Houve impacto em outros desfechos materno-fetais?
De modo geral, a atividade física reduziu a ocorrência de cesarianas, de bebês pequenos para a idade gestacional e de bebês grandes para a idade gestacional.
Intervenções baseadas na dieta reduziram a ocorrência de parto prematuro em comparação com os grupos de controle.
Não foram observadas diferenças quanto a outros desfechos.
As intervenções no estilo de vida foram, em média, mais dispendiosas e mais eficazes na prevenção do diabetes gestacional e de desfechos principais, em comparação com o cuidado habitual.
Mensagem prática
Intervenções no estilo de vida durante a gravidez previnem o diabetes gestacional, sendo as intervenções baseadas em atividade física as mais eficazes.
Entretanto, essa meta-análise não identificou os componentes específicos da intervenção e os métodos de implementação associados a melhores desfechos, devido a variações nos relatos dos estudos.
Intervenções no estilo de vida devem ser implementadas e avaliadas na prática clínica de rotina para prevenir o diabetes gestacional, com apoio adicional para mulheres de baixo nível socioeconômico.
Autoria

Letícia Japiassú
Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.
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