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Endocrinologia14 abril 2026

ACC/AHA 2026: Como manejar dislipidemia em pacientes idosos

Confira o que apresenta a nova diretriz de dislipidemia sobre o manejo.
Por Erik Trovão

O guideline de 2026 da ACC/AHA sobre manejo da dislipidemia enfatiza que, em idosos, a decisão de iniciar, manter ou descontinuar terapia hipolipemiante deve ser guiada por uma avaliação individualizada do balanço risco-benefício, incorporando prioridades do paciente, status funcional, multimorbidades, fragilidade, polifarmácia e expectativa de vida. A diretriz destaca explicitamente que decisões sobre introdução ou suspensão de terapias hipolipemiantes não devem ser baseadas apenas na idade cronológica, mas no contexto clínico global do paciente.

Médico atende paciente idoso após consultar conteúdos de Geriatria do Whitebook

Por que a idade isoladamente não deve definir a terapia hipolipemiante

A diretriz reforça que a idade cronológica, isoladamente, não deve definir a decisão terapêutica. Em vez disso, devem ser considerados status funcional, multimorbidades, fragilidade, polifarmácia, expectativa de vida e preferências do paciente.

Quando pode ser razoável iniciar estatina após os 75 anos

Para adultos com mais de 75 anos, o guideline recomenda que, em pacientes com expectativa de vida estimada de pelo menos 2,5 anos, pode ser razoável iniciar estatina de intensidade moderada após discussão clínica detalhada dos potenciais benefícios e riscos. Essa recomendação reflete a evidência de que o benefício de prevenção de eventos cardiovasculares pode existir nessa faixa etária, embora o efeito absoluto seja menor do que em adultos mais jovens, e os dados de ensaios clínicos randomizados permaneçam limitados.

Em que situações a suspensão da terapia pode ser apropriada

A diretriz também estabelece que, em indivíduos com expectativa de vida inferior a 1 ano, pode ser apropriado descontinuar terapias redutoras de LDL-C para evitar carga terapêutica desnecessária e possíveis efeitos adversos. Essa recomendação se baseia em evidências de que, em pacientes com doença avançada ou prognóstico limitado, a suspensão da terapia pode melhorar a qualidade de vida sem aumentar eventos adversos clinicamente relevantes.

Como o escore de cálcio coronariano pode ajudar na decisão

Em idosos acima de 75 anos nos quais a decisão terapêutica permanece incerta, o guideline recomenda que a mensuração do escore de cálcio coronariano (CAC) pode ser utilizada para refinar a estratificação de risco. Em pacientes com CAC zero ou mínimo, de 1 a 10, pode ser razoável evitar o início de terapia hipolipemiante, uma vez que o benefício potencial tende a ser baixo nesses casos.

Por que a conduta deve ser revisitada ao longo do tempo

Por fim, a diretriz ressalta que a tomada de decisão deve ser dinâmica e revisitada ao longo do tempo, uma vez que o equilíbrio entre benefício e risco pode se modificar com o envelhecimento, surgimento de novas comorbidades, alterações funcionais e mudanças nas preferências do paciente. A decisão de continuar ou descontinuar terapia deve resultar de uma discussão compartilhada entre paciente e equipe assistencial, com foco na preservação da funcionalidade e na qualidade de vida.

Autoria

Foto de Erik Trovão

Erik Trovão

Formado em Medicina pela UFCG •Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE •Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE •Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM •Mestre em neurociências pela UFPE •Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE

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