Logotipo Afya

Produzido por

Anúncio
Endocrinologia29 novembro 2022

Abordagem da tireotoxicose no puerpério

Um quadro de tireotoxicose iniciado durante o puerpério pode apresentar duas etiologias principais: tireoidite pós-parto (TPP) ou Doença de Graves (DG). A primeira possui incidência de 1 a 17% , carac…

Por Ícaro Sampaio

Um quadro de tireotoxicose iniciado durante o puerpério pode apresentar duas etiologias principais: tireoidite pós-parto (TPP) ou Doença de Graves (DG). A primeira possui incidência de 1 a 17% , caracterizando-se por ser uma tireoidite destrutiva com tireotoxicose transitória que ocorre durante os primeiros 12 meses após o parto. O risco é maior naquelas pacientes que apresentam o anticorpo anti-TPO positivo no primeiro trimestre da gestação e naquelas que possuem outras condições autoimunes.

A Doença de Graves, por sua vez, costuma apresentar uma exacerbação dos sintomas no primeiro trimestre da gestação ( por ação do hCG) e durante o puerpério (por elevação dos títulos do TRAb). Sendo assim, pode haver uma recidiva ou ativação da DG no período puerperal. No entanto, a fase tireotóxica da TPP é 20 vezes mais comum que o hipertireoidismo por DG durante o puerpério.

Mas, como diferenciar as duas condições:

Geralmente a fase de hipertireoidismo da TPP aparece nos primeiros meses após o parto, enquanto a DG pode surgir depois de três meses. Devido ao processo destrutivo da TPP, observam-se concentrações mais elevadas de T4 em relação a T3, enquanto na DG, há predomínio de concentrações mais altas de T3 do que de T4. A presença de TRAb também favorece o diagnóstico da DG. A cintilografia da tireoide deve ser evitada, devido à passagem do radioisótopo para o leite materno. Se for imprescindível para o diagnóstico, opta-se por usar 99mTc ou 123I, com meias-vidas menores, orientando-se retirar e desprezar o leite materno durante 1-5 dias, respectivamente, até a retomada da amamentação.

 

Já discutimos o tratamento do hipertireoidismo pela DG durante a lactação em outra publicação neste site. E com relação ao tratamento da TPP, qual é a abordagem recomendada?

Os betabloqueadores podem ser utilizados durante a fase de tireotoxicose da TPP. A dose de propranolol varia de acordo com os sintomas, podendo-se iniciar com 10 mg, três vezes ao dia. Já o atenolol deve ser evitado, pois é secretado no leite materno, causando bradicardia e hipoglicemia no lactente. O uso de tionamidas não apresenta qualquer benefício na TPP.

Vale lembrar que após a fase de hipertireoidismo, as pacientes com TPP costumam evoluir com uma fase de hipotireoidismo, que pode inclusive necessitar de tratamento com levotiroxina. Por isso, é importante realizar o seguimento da função tireoidiana com TSH e T4L a cada 4-8 semanas.

Referências:

Maganha CA, Mattar R, Mesa Júnior CO, Marui S, Solha ST, Teixeira PF, et al. Rastreio, diagnóstico e manejo do hipertireoidismo na gestação. Número 8 – Agosto 2022

Korevaar TIM, Pearce EN. Thyroid disorders during preconception, pregnancy, and the postpartum period. In: Braverman LE, Cooper DS, Kopp PA, editors. Werner & Ingbar’s the thyroid: a fundamental and clinical text. 11th ed. Philadelphia: Lippincott-Raven; 2021. p. 922-40.

Autoria

Foto de Ícaro Sampaio

Ícaro Sampaio

Redator em Endopapers. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UFCG).  Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Médico Assistente e Preceptor no Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da UFPE.

anuncio endocrinopapers

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Endocrinologia