As verrugas cutâneas são lesões exofíticas, benignas e proliferativas causadas pela infecção pelo papilomavírus de queratinócitos basais. Existem muitas modalidades de tratamento, desde agentes tópicos até terapias agressivas destrutivas, dependendo da natureza da verruga. A evolução depende não apenas da intervenção terapêutica, mas também da resposta imunológica do paciente. O tratamento, portanto, permanece um desafio na prática dermatológica, sobretudo pela grande variabilidade de respostas terapêuticas e pelas altas taxas de recorrência.
O ácido salicílico geralmente é considerado terapia de primeira linha para verrugas cutâneas. Outras opções de tratamento incluem agentes ceratolíticos, como 5-fluorouracil tópico, crioterapia (CRYO) com nitrogênio líquido, laser de corante pulsado, ácido retinoico e imiquimode. Excisão cirúrgica e eletrocauterização também podem ser utilizadas. Essas terapias estão frequentemente associadas à dor, cicatrizes ou recidivas pós-intervenção. Além disso, muitos agentes imunomoduladores intralesionais (IL) são usados atualmente, incluindo vacina Bacillus Calmette-Guérin, vacina tríplice viral (sarampo-caxumba-rubéola — MMR), derivado purificado de proteína (PPD), extrato de Candida, vitamina D3, interferon alfa, sulfato de zinco e vacina contra hepatite B (HBV).
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O aciclovir (ACV) é considerado uma nova terapia IL para verrugas e tem sido associado a melhores resultados do que a PPD. O ACV é um análogo sintético de nucleosídeo que inibe a DNA polimerase viral, levando à terminação da elongação da cadeia de DNA viral. Ele é convertido em sua forma ativa trifosfatada pela timidina quinase viral, que ataca seletivamente as células infectadas. Ele mostrou uma eliminação completa das verrugas em 52,6% dos pacientes sem recorrência de acompanhamento, tornando-se uma modalidade importante de tratamento.
Estudo
Desse modo, o artigo em questão propôs uma análise comparativa entre as diferentes modalidades terapêuticas utilizadas no tratamento das verrugas, buscando avaliar eficácia, taxas de resolução e limitações associadas a cada abordagem terapêutica. O estudo aborda uma comparação mais recente entre diferentes terapias IL e avalia especificamente o ACV com a PPD, para uma melhor compreensão das diferentes modalidades disponíveis. Nenhuma meta-análise antes foi feita comparando o ACV com outras terapias.
Metodologia
O estudo baseou-se em uma busca abrangente para identificar ensaios clínicos randomizados, sendo excluídos estudos de braço único, resultando na inclusão final de cinco estudos. A análise estatística utilizou modelo de efeitos aleatórios, com razão de chances de IC 95%, totalizando 295 pacientes. Uma ampla variedade de intervenções foi incluída, como: solução salina (SAL), aciclovir (ACV), vacina contra hepatite B (HBV), crioterapia (CRYO), PPD, vacina MMR e vacina Mycobacterium w (Mw). As doses das intervenções variaram de acordo com o tipo de tratamento e a duração terapêutica variou entre 9-20 semanas, sendo administradas 3-6 sessões.
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Resultados
A análise demonstrou que não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os tratamentos quanto à resposta completa. Entretanto, a solução salina apresentou maior probabilidade de alcançar resposta completa parcial, possivelmente atribuída à ativação imunológica local, efeito placebo associado ao seguimento clínico ou ao efeito mecânico da injeção.
Nos desfechos secundários, a solução salina também demonstrou menor taxa de ausência de resposta e menor dor no local da aplicação, enquanto a CRYO e a vacina Mw estiveram mais associadas à formação de bolhas. Em relação à segurança, não houve diferenças relevantes quanto a reações alérgicas e a vacina Mw apresentou menor probabilidade de eritema e edema e em alguns estudos.
Considerações finais: tratamento de verrugas cutâneas
Os autores também destacaram as limitações do estudo, como pequeno número de estudos incluídos, heterogeneidade metodológica, ausência de padronização dos desfechos e risco de viés em parte dos ensaios. Embora a solução salina pareceu ter se destacado como opção eficaz e bem tolerada, os resultados devem ser interpretados com cautela, com necessidade de estudos maiores e multicêntricos, com metodologia mais robusta para confirmar esses dados e orientar melhor a prática clínica.
Autoria

Marselle Codeço Barreto
Médica pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).
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