O hemangioma infantil (HI) é o tumor vascular benigno mais comum da infância, afetando aproximadamente 4–5% dos recém-nascidos, predominantemente mulheres prematuras. Embora a maioria apresente regressão espontânea, uma parcela requer tratamento devido a complicações como ulceração, comprometimento funcional ou risco de desfiguração.
O propranolol oral é considerado a terapia sistêmica de primeira linha, porém seus potenciais efeitos adversos motivaram a investigação de alternativas terapêuticas. Este estudo teve como objetivo comparar a eficácia e a segurança das intervenções disponíveis para HI em relação ao propranolol oral, além de avaliar a certeza das evidências comparativas.

Estudo
Foi realizada uma revisão sistemática, com metanálise em rede bayesiana, de acordo com as recomendações PRISMA-NMA. As bases consultadas foram PubMed, Embase, Cochrane Library e CNKI, entre janeiro de 2008 e junho de 2026, incluindo apensas ensaios clínicos randomizados. A eficácia foi definida pela resolução completa ou redução superior a 75% da lesão, enquanto a segurança foi avaliada pela ocorrência de eventos adversos relacionados ao tratamento.
Metodologia
Foram incluídos 30 ensaios clínicos randomizados, totalizando 2.639 pacientes e nove modalidades terapêuticas na análise de eficácia: propranolol oral, atenolol, nadolol, propranolol intralesional, betabloqueadores tópicos (por exemplo, timolol maleato, carteolol), terapia a laser (laser de corante pulsado (PDL) ou Nd:YAG), corticosteroides (sistêmicos ou tópicos), terapia combinada com propranolol (propranolol oral mais outra modalidade, como laser ou timolol tópico) e placebo/observação. Para a análise de segurança, 12 estudos com 1.143 pacientes foram analisados. Os ensaios incluídos foram publicados entre 2013 e 2025 em 11 países, predominantemente na China.
Resultados e considerações finais
Em comparação ao propranolol oral, nenhuma intervenção ativa demonstrou superioridade estatisticamente significativa, enquanto placebo/observação foi significativamente inferior. A maioria dos estudos utilizou 2,0-3,0 mg/kg/dia, consistente com as recomendações atuais das diretrizes, enquanto quatro estudos usaram 1,0-1,5 mg/kg/dia. Quanto à segurança, os corticosteroides apresentaram maior ocorrência de eventos adversos, enquanto o atenolol mostrou tendência não significativa a menor ocorrência de eventos adversos. A certeza das evidências variou de moderada a muito baixa.
Os resultados sustentam a manutenção do propranolol oral como tratamento sistêmico de referência para o hemangioma infantil, uma vez que nenhuma alternativa avaliada demonstrou superioridade significativa, ao mesmo tempo em que fornecem uma estrutura comparativa para informar decisões terapêuticas individualizadas. O atenolol pode representar uma alternativa razoável em pacientes intolerantes ao propranolol, enquanto os corticosteroides apresentaram um perfil de segurança desfavorável.
Leia também: Propranolol oral em hemangiomas infantis: estudo avaliou a segurança e eficácia
Autoria

Marselle Codeço Barreto
Editora médica da Afya. Formada pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação na Afya, também é preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).
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