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Dermatologia29 maio 2026

Dermatite seborreica em cabelos com alto grau de curvatura: como manejar?

Consenso aborda dermatite seborreica em cabelos de alto grau de curvatura: barreiras, diagnóstico, ceramidas e recomendações

Os distúrbios capilares e do couro cabeludo são citados como os principais problemas dermatológicos em indivíduos com cabelos de padrão altamente encaracolado, ou com alto grau de curvatura, denominados high-curl-pattern hair (HCPH), e essas alterações podem levar a grande sofrimento psicológico. A literatura aponta que esse tipo de cabelo possui características estruturais únicas que aumentam sua suscetibilidade à quebra e à dermatite seborreica (DS), além de maior tendência ao ressecamento e distribuição irregular do sebo ao longo da haste capilar. Nesse contexto, o artigo objetiva revisar a literatura sobre dermatite seborreica e saúde da barreira do couro cabeludo em indivíduos com esse padrão capilar, discutindo desafios terapêuticos e o possível papel de produtos contendo ceramidas.

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Dermatite seborreica em cabelos com alto grau de curvatura: como manejar?

Como a revisão foi conduzida e como as declarações de consenso foram formuladas

A metodologia consistiu em uma revisão sistemática seguida de declarações de consenso por um painel de dermatologistas. As buscas foram realizadas no PubMed, com Google Scholar como fonte secundária, incluindo publicações em inglês dentro de períodos previamente definidos. Foram pesquisados estudos humanos sobre dermatite seborreica em cabelos de padrão altamente encaracolado, bem como estudos sobre práticas de cuidado capilar relacionadas à DS nessa população. Após a triagem, os estudos elegíveis subsidiaram a formulação de declarações preliminares, que foram discutidas e refinadas em reunião presencial de especialistas. Ao final, foram selecionadas cinco declarações de consenso sobre a relação entre caspa, barreira cutânea do couro cabeludo e desafios no manejo desses pacientes.

Quais são as cinco afirmações do consenso sobre dermatite seborreica e cabelos encaracolados:

  • A dermatite seborreica é definida como doença inflamatória crônica, multifatorial e de apresentação variável, ressaltando que, em fototipos mais altos, o eritema pode ser menos frequente, enquanto a hipo e hiperpigmentação podem ser mais comuns;
  • Apesar de maior produção sebácea, o couro cabeludo de indivíduos com cabelos muito encaracolados é frequentemente percebido como seco, pois a conformação espiralada da haste dificulta a distribuição do sebo;
  • Práticas como alisamentos químicos, relaxamentos, extensões e uso de produtos inadequados podem contribuir para a irritação do couro cabeludo, quebra capilar e piora dos sintomas;
  • A escolha do penteado influencia a frequência de lavagem e, durante o tratamento da DS, o dermatologista deve discutir o uso de shampoos, a frequência de higienização e os estilos capilares;
  • Medidas adicionais práticas foram recomendadas, como uso de shampoos antifúngicos e veículos tópicos compatíveis com pacientes que não lavam os cabelos diariamente.

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Por que ressecamento e dermatite seborreica são facilmente confundidos nessa população

Os autores reforçaram a necessidade de diferenciar o ressecamento simples do couro cabeludo da DS, já que ambos podem cursar com descamação, mas possuem abordagens distintas. Como a inflamação pode ser menos visível nesses indivíduos, sintomas subjetivos como prurido e descamação persistente ou recorrente não devem ser atribuídos automaticamente ao ressecamento. Os autores também estimulam o uso de ferramentas como a graduação visual da descamação, a tricoscopia e a avaliação de biomarcadores da barreira cutânea. O diagnóstico diferencial deve considerar dermatite atópica, dermatite de contato, psoríase, rosácea e tinea capitis.

Ceramidas, frequência de lavagem e práticas culturais entram no plano terapêutico

Outro ponto discutido é a importância de alinhar o tratamento às práticas culturais e individuais de cuidado capilar. Lavagens muito frequentes podem aumentar o ressecamento e a quebra, enquanto lavagens muito espaçadas podem agravar a DS. Os autores recomendaram considerar o uso de shampoos hidratantes e condicionantes, aplicação direta no couro cabeludo, condicionamento pós-lavagem e hidratantes leave-in.

Produtos contendo ceramidas foram discutidos como potencialmente relevantes, pois a DS foi associada à redução de lipídeos livres, incluindo ceramidas, ácidos graxos e colesterol. Os óleos e pomadas usados para mascarar a descamação podem piorar a dermatite seborreica e devem ser evitados.

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Recomendações individualizadas e culturalmente sensíveis são indispensáveis

O artigo conclui que os cabelos de padrão altamente encaracolado apresentam vulnerabilidades específicas que podem aumentar a suscetibilidade à quebra e à dermatite seborreica. As recomendações devem ser individualizadas, culturalmente sensíveis e compatíveis com cada tipo de cabelo, penteado e preferências dos pacientes. Os autores reconheceram a escassez de dados específicos sobre DS e barreira do couro cabeludo nessa população, defendendo a necessidade de mais pesquisas para compreender melhor as variações e aprimorar estratégias de tratamento mais inclusivas e eficazes.

Autoria

Foto de Marselle Codeço Barreto

Marselle Codeço Barreto

Médica pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).

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