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Dermatologia12 fevereiro 2026

Ceratose actínica: o que as evidências genéticas têm mostrado? 

Revisão sintetizou estudos de randomização mendeliana que avaliaram possíveis relações causais envolvendo a ceratose actínica 

A ceratose actínica (CA) é uma condição frequente em indivíduos idosos, principalmente naqueles de fototipo baixo sob exposição solar crônica. A CA caracteriza-se por lesões ásperas e descamativas em áreas fotoexpostas e são reconhecidas como precursoras do carcinoma espinocelular e marcadoras de fotodano. Embora a radiação ultravioleta seja o principal fator associado à sua etiopatogênese, o contexto biológico, genético e clínico mais amplo da CA ainda não é totalmente elucidado. 

Os estudos epidemiológicos tradicionais enfrentam limitações para estabelecer causalidade devido a fatores de confusão e causalidade reversa, por exemplo. Nesse cenário, a randomização mendeliana tem surgido como uma ferramenta de abordagem metodológica capaz de investigar relações causais entre exposições e desfechos por meio de variantes genéticas, reduzindo vieses e identificando potenciais fatores causais e alvos para pesquisas futuras. Desse modo, essa revisão, realizada por Heerfordt, Ida M et al., objetivou sintetizar estudos de randomização mendeliana que avaliaram possíveis relações causais envolvendo a ceratose actínica. 

Metodologia 

Os autores identificaram, por meio de buscas sistemáticas no Medline e Embase até agosto de 2025, oito estudos de randomização mendeliana publicados entre 2022 e 2025 que investigaram associações envolvendo ceratose actínica, baseados em dados de estudos de associação genômica ampla (GWAS) de populações europeias, que exploram possíveis relações causais entre CA e diferentes características biológicas e desfechos de saúde. As principais fontes de dados genéticos para CA foram o FinnGen, o UK Biobank e a coorte Genetic Epidemiology Research on Adult Health and Aging. Devido à heterogeneidade das exposições e desfechos analisados, os resultados foram sintetizados de forma narrativa. 

Resultados 

A maioria dos estudos avaliou a CA como desfecho. Dois trabalhos exploraram características metabólicas sistêmicas: um encontrou associação inversa entre predisposição genética ao diabetes tipo 1 e 2 e risco de CA, enquanto outro identificou múltiplos metabólitos plasmáticos geneticamente previstos associados à CA. 

No campo imunológico, foram descritas associações inversas entre CA e determinados perfis de células imunes, sugerindo possível efeito protetor mediado por modulação imune. Em contraste, não foram observadas evidências de efeito causal entre CA e dermatite atópica, rosácea ou microbioma cutâneo. 

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Um achado que precisa de interpretação cautelosa foi a associação positiva entre maior capacidade genética de bronzeamento e risco aumentado de CA. Esse resultado contraria o conhecimento clínico tradicional e pode refletir violação de pressupostos da randomização mendeliana, especialmente da restrição de exclusão, uma vez que a capacidade de bronzeamento pode influenciar comportamentos relacionados à exposição solar. Por fim, um estudo que tratou a CA como exposição demonstrou que a predisposição genética à CA esteve associada a maior risco de melanoma, carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular, reforçando o papel da CA como marcador para neoplasias cutâneas. 

Ceratose actina: o que as evidências genéticas têm mostrado? 

Considerações finais: Ceratose actínica 

Essa revisão, portanto, evidenciou que apresar do número ainda limitado de estudos de randomização mendeliana em CA, os dados disponíveis forneceram informações importantes sobre possíveis mecanismos metabólicos, imunológicos e comportamentais associados à doença. A crescente disponibilidade de bancos genéticos também pode contribuir para futuras análises causais, para melhor compreensão da CA e para o direcionamento de novas áreas de pesquisa na dermatologia.

Autoria

Foto de Marselle Codeço Barreto

Marselle Codeço Barreto

Médica pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).

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