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Dermatologia19 junho 2025

Caso clínico: Pacientes com pequenas granulações nos lábios 

Caso de paciente com lesões assintomáticas, pequenas “bolinhas”, que surgiram ao logo dos anos nos lábios.
Por Mariana Santino

Paciente de 55 anos, feminina, queixa-se de pequenas “bolinhas” que surgiram ao logo dos anos nos lábios. As lesões são assintomáticas. Ao exame, são observados pequenos pontos brancos elevados nas comissuras labiais (Figura 1), onde parecem confluir, e também em toda a mucosa do lábio superior (Figura 2). 

Figura 1
Figura 2

 

Qual o diagnóstico? 

O quadro clínico trata-se de grânulos de fordyce, uma variante anatômica extremamente comum. 

O que são essas pequenas “bolinhas” nos lábios?  

São glândulas sebáceas ectópicas que ocorrem na semimucosa labial (borda do vermelhão do lábio e lábios) e na mucosa oral, principalmente na mucosa jugal mas também podendo ocorrer na mucosa gengival. Mais raramente, acomete a região genital. O quadro costuma surgir na vida adulta. 

Sua patogênese é desconhecida. Na clínica encontram-se pequenas granulações ou pontos elevados, amarelados ou esbranquiçados, de 1-3 mm, redondos ou poligonais, confluentes ou isolados e, em geral, em grande quantidade. As lesões são indolores. Ao longo do tempo, pode-se notar uma área de clareamento na semimucosa do lábio superior por essas glândulas sebáceas agrupadas.  

Além dos grânulos de Fordyce (mucosa oral e região genital), existem outras glândulas sebáceas ectópicas no corpo humano, como as glândulas de Tyson (prepúcio e sulco coronal), as glândulas de Montgomery (aréola mamária), as glândulas de Meibômio (pálpebras) e as glândulas de Zeis (margem palpebral, associadas aos cílios).

Como diagnosticar e tratar?  

O diagnóstico é clínico. Se realizada biópsia da lesão, serão identificadas glândulas sebáceas semelhantes às encontradas na pele normal, porém não associadas a folículos pilosos, razão pela qual são denominadas glândulas sebáceas ectópicas.

Muitas vezes, o paciente procura atendimento por uma queixa estética ou pela preocupação de que as lesões possam representar alguma doença. São lesões benignas, sem risco de transformação maligna. Quando há desejo de tratamento por motivos estéticos, podem ser consideradas opções como laser de CO₂ ou Er:YAG, eletrocauterização e outras técnicas ablativas, de acordo com o número, localização e extensão das lesões.

Veja também: Panorama da Dermatologia no Brasil e oportunidades de especialização

*Este conteúdo foi atualizado em: 01/10/2026 pela equipe editorial médica do Portal Afya.

Autoria

Foto de Mariana Santino

Mariana Santino

Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação na Afya, também é preceptora de Dermatologia na UFRJ e atende em hospitais e consultório particular no Rio de Janeiro.

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