Paciente do sexo feminino, de 52 anos, portadora de tireoidite de hashimoto, refere ter notado recentemente manchas brancas nas mãos. Nega prurido ou dor no local.
Ao exame, manchas hipocrômicas no dorso do 1º quirodáctilo direito e dorso da mão próximo ao 5º quirodáctilo esquerdo (Figura 1) e que são destacadas em coloração branco-azulada pelo exame com a luz de Wood (Figura 2).


Qual o diagnóstico?
- a) Pitiríase versicolor
- b) Vitiligo
- c) Hipopigmentação pós-inflamatória
- d) Hanseníase tuberculoide

Resposta
B) Vitiligo. Doença crônica, autoimune, adquirida edespigmentante da pele, em que há destruição progressiva dos melanócitos da epiderme.
Como é sua clínica?
Máculas acrômicas ou hipocrômica, bem demarcadas, de diversos tamanhos, podendo ter formato oval, arredondado ou linear. Não há inflamação ao redor, escamas ou mudança na textura da pele. Pode envolver qualquer parte do corpo, mas é mais comum na face e áreas ao redor dos orifícios (principalmente periocular e perioral), dorso das mãos e pés, dedos, regiões intertriginosas, joelhos, cotovelos, genitais. Tendem a ser simétricas e bilaterais ou, na forma segmentar, unilateral. Os pelos nos locais das manchas podem ficar brancos. Não costuma ter prurido, dor ou qualquer outro sintoma associado.
Pode haver história de trauma, pressão crônica ou fricção previamente no local da mancha, conhecido como fenômeno de Koebner.
Como a luz de wood pode colaborar com o diagnóstico clínico?
A luz de Wood é um método de diagnóstico rápido, econômico, acessível e não invasivo que consiste na utilização de uma fonte de radiação ultravioleta com comprimento de onda aproximado de 365 nm.
Quando em ambiente escuro e submetida à iluminação pela luz de wood, a mancha do vitiligo adquire coloração branco-azulada, apesar de não fluorescer.
A mancha hipopigmentada nos dedos já é característica do vitiligo, mas, em geral, o exame complementar com a luz de wood ajuda a diferenciar de outras desordens que podem cursar com despigmentação:
- Dermatite seborreica: fluorescência amarelo pálido ou brilhante;
- Pitiríase alba ou eczemátide: lesão acentuada mas sem fluorescência;
- Nevo anêmico: sem acentuação da lesão;
- Nevo despigmentado: acentuação da lesão de coloração branco off-white;
- Mancha hipopigmentada “em folha” na esclerose tuberosa: lesão acentuada mas sem fluorescência;
- Hipomelamose macular progressiva: fluorescência vermelho alaranjada puntiforme nos óstios foliculares.
Além disso, também pode ajudar a aumentar a visibilidade das manchas hipocrômicas, especialmente em fototipos baixos em que elas podem ficar mais disfarçadas clinicamente à olho nu.
Autoria

Mariana Santino
Médica pela Universidade Federal Fluminense (UFF) • Residência Médica em Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) • Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
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