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Clínica Médica29 abril 2026

Úlcera de Lipschütz: guia completo para diagnóstico e tratamento

Entenda o que é a úlcera de Lipschütz, como fazer o diagnóstico diferencial com ISTs e qual é o manejo indicado na prática ginecológica.

úlcera de Lipschütz é uma causa rara de úlcera genital aguda não sexualmente adquirida, descrita principalmente em adolescentes e mulheres jovens. O quadro costuma gerar preocupação imediata porque se manifesta com dor intensa, ulceração vulvar súbita e importante repercussão funcional, além de frequentemente levantar suspeita inicial de herpes genital, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. 

Apesar de geralmente ser uma condição autolimitada, a condição úlcera de Lipschütz exige atenção pela intensidade dos sintomas e pela necessidade de um diagnóstico diferencial cuidadoso. Seu reconhecimento ajuda a evitar tratamentos inadequados, reduzir estigma e melhorar a abordagem em saúde sexual da mulher. 

 O que é a úlcera de Lipschütz 

A úlcera de Lipschütz, também chamada de úlcera vulvar aguda não sexualmente adquirida, caracteriza-se pelo aparecimento abrupto de lesões dolorosas na vulva e, em alguns casos, na mucosa vaginal. Em geral, sãúlceras profundas, de bordas eritematosas, fundo fibrinoso ou necrótico e edema local importante. 

O perfil clássico é o de adolescentes ou mulheres jovens, muitas vezes sem história de atividade sexual recente. A dor pode ser intensa a ponto de comprometer deambulação, micção, higiene íntima e qualidade de vida nos primeiros dias do quadro. 

Etiologia e relação com infecções sistêmicas 

A etiologia da úlcera de Lipschütz ainda não está completamente esclarecida. A hipótese mais aceita é a de uma resposta inflamatória reativa desencadeada por infecção sistêmica aguda, e não de uma infecção genital local primária.  

Entre os agentes mais associados, o vírus Epstein-Barr ocupa posição de destaque, o que explica a frequente relação entre úlcera de Lipschütz e mononucleose. 

Também já foram descritas associações com outros agentes infecciosos, embora muitos casos permaneçam sem etiologia comprovada. Por isso, a infecção por Epstein-Barr deve ser vista como associação relevante, mas não obrigatória para o diagnóstico. 

Primeiros sinais de úlcera de Lipschütz 

Os primeiros sinais de úlcera de Lipschütz costumam incluir dor vulvar aguda, ardor local e surgimento rápido de uma ou mais ulcerações. Em parte das pacientes, o quadro é precedido por pródromos sistêmicos, como febre, mal-estar, odinofagia, linfadenopatia ou sintomas virais inespecíficos nos dias anteriores. 

As lesões podem ser únicas ou múltiplas, superficiais ou profundas, unilaterais ou bilaterais. Esse padrão clínico é importante porque ajuda a diferenciar o quadro de outras causas de úlcera vulvar, especialmente quando a história sexual e o contexto clínico não sugerem infecção sexualmente transmissível. 

Veja também: Caso clínico: Úlcera vulvar aguda

Diagnóstico da úlcera de Lipschütz e papel dos testes 

O diagnóstico da úlcera de Lipschütz é essencialmente clínico e de exclusão. Os testes não confirmam a doença de forma direta; seu principal papel é afastar outras causas mais frequentes ou potencialmente graves de ulceração genital. 

Exames e investigação complementar

Na prática, a investigação costuma incluir testes para herpes simples e sífilis, além de exames microbiológicos ou sorológicos conforme o contexto. Quando há sintomas sistêmicos, pode ser útil pesquisar infecção por Epstein-Barr.  

Nesse cenário, a tecnologia diagnóstica contribui para aumentar a precisão da avaliação justamente porque ajuda a excluir infecções sexualmente transmissíveis e outras doenças com apresentação semelhante. 

Diferenças entre a úlcera de Lipschütz e outras úlceras genitais 

As diferenças entre a úlcera de Lipschütz e outras úlceras genitais são centrais no raciocínio clínico. O herpes genital costuma cursar com vesículas prévias e lesões agrupadas, enquanto a sífilis primária geralmente provoca úlcera única, endurecida e menos dolorosa.  

Outras condições também devem ser consideradas no diagnóstico diferencial, como a Doença de Behçet, doença de Crohnreações medicamentosas e neoplasias também entram no diagnóstico diferencial, especialmente em casos atípicos, recorrentes ou prolongados. 

Por isso, o diagnóstico correto depende da integração entre história clínica, exame físico e exclusão sistemática de outras hipóteses. 

Tratamento para úlcera de Lipschütz 

O tratamento para úlcera de Lipschütz é predominantemente de suporte. De modo geral, a base do manejo inclui analgesia, cuidados locais, higiene adequada e medidas para reduzir o desconforto são a base do manejo. Em muitos casos, anestésicos tópicos e analgésicos sistêmicos são suficientes para controlar os sintomas até a resolução espontânea das lesões. 

Quando ampliar o suporte 

Nos quadros mais intensos, especialmente quando há dor incapacitante ou dificuldade miccional, pode ser necessária abordagem mais ampla, inclusive com suporte hospitalar. O tratamento deve ser individualizado conforme intensidade dos sintomas e repercussão funcional. 

Prognóstico e pesquisa recente 

O prognóstico da úlcera de Lipschütz costuma ser favorável. Na maioria dos casos evolui com resolução espontânea em poucas semanas, sem sequelas permanentes. Ainda assim, o impacto físico e emocional durante a fase aguda pode ser importante, o que justifica diagnóstico rápido e orientação adequada. 

Como se trata de condição rara, a maior parte da evidência disponível vem de séries de casos e revisões. Mesmo assim, a pesquisa recente tem sido suficiente para consolidar três pontos práticos: a doença é rara, pode mimetizar infecções sexualmente transmissíveis e deve ser lembrada na avaliação de úlcera genital aguda dolorosa em adolescentes e mulheres jovens. 

Autoria

Foto de Bruno Anello Mottini Horlle

Bruno Anello Mottini Horlle

Possui graduação em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (2019). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Medicina de Emergência, e Clinica Médica.

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