A Inovação desenvolvida na Unifesp promete diagnósticos de motilidade precisos, de baixo custo e sem exposição à radiação, abrindo novas possibilidades para o atendimento em consultório.
A avaliação da motilidade do trato gastrointestinal (TGI) está prestes a entrar em uma nova era. Um projeto brasileiro, liderado pelo Dr. Fabiano Paixão, físico e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), desenvolveu um sistema de rastreamento magnético que elimina a necessidade de radiação ionizante e infraestruturas hospitalares complexas para o diagnóstico de distúrbios funcionais.
Com o apoio da Fapesp, a tecnologia surge como um auxilio à “frustração clínica” com os métodos atuais, como a cintilografia e a manometria, que são honerosos e restritos a grandes centros.
O Fim do Dilema da Radiação
O novo sistema funciona de forma inteligente e simples: o paciente ingere uma cápsula contendo um marcador magnético inerte. Enquanto a cápsula percorre o sistema digestivo, sensores externos posicionados no abdômen detectam o campo magnético e mapeiam a posição do marcador em tempo real.
Diferente de tecnologias anteriores que exigiam resfriamento criogênico e equipamentos de milhões de dólares, a inovação brasileira utiliza sensores de baixo custo. “Conseguimos reduzir o custo de milhares de dólares para algumas dezenas de dólares por sensor”, destaca o Dr. Paixão.
Principais Vantagens da Nova Tecnologia:
- Ausência de Radiação: Permite exames repetidos e acompanhamento contínuo sem riscos cumulativos.
- Portabilidade: O sistema pode ser utilizado em consultórios e ambulatórios, descentralizando o diagnóstico.
- Versatilidade: O marcador pode ser adaptado para diferentes formas farmacêuticas, como comprimidos ou soluções líquidas.
- Custo-Efetividade: Redução drástica no preço final do procedimento, facilitando a aderência no SUS e na saúde suplementar.
Impacto na Prática Clínica e Perspectivas
Para a Dra. Maria do Carmo Friche Passos, gastroenterologista e pós-doutorado pela Harvard University, a tecnologia entra para a história do estudo da motilidade intestinal. Atualmente, exames como a cápsula endoscópica focam na morfologia, enquanto a manometria é complexa e pouco sensível para certas patologias.
“Se segurança, sensibilidade e especificidade forem confirmadas, será uma revolução no estudo dos distúrbios motores de todo o trato digestivo”, afirma a Dra. Maria do Carmo.
No entanto, a especialista recomenda cautela. Como a motilidade varia significativamente entre indivíduos, a interpretação dos dados precisa ser rigorosa. O Dr. Tomaz Tanaka, doutor em cirurgia pela Unifesp, complementa que a ferramenta é um método funcional e não substitui exames estruturais, mas atua como um aliado estratégico em casos de inércias colônicas e distúrbios do esvaziamento gástrico.
Próximos Passos e Regulamentação
A tecnologia, já patenteada pela startup Paix Medical, entra agora em sua fase final de desenvolvimento. Os estudos clínicos estão previstos para começar ainda este ano, respeitando os protocolos da Anvisa e do FDA. A expectativa é que, uma vez validada, a ferramenta se torne um padrão de cuidado acessível, transformando a realidade de milhares de pacientes com distúrbios gastrointestinais funcionais no Brasil e no mundo.
Autoria

Daniela Cristina Cardoso Lima Estrella
Possui graduação em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (2019). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica, Dermatologia Sanitária e Cirúrgica e Medicina de Emergência.
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