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Clínica Médica19 março 2026

Sinal de Frank: qual o real significado clínico?

Por Leandro Lima

sinal de Frank caracteriza-se pela presença de um sulco no lóbulo inferior da orelha, com direção anteroposterior, em ângulo de aproximadamente 45°, desde o trago até a borda auricular. 

Trata-se de um marcador não tradicional de risco cardiovascular, a exemplo da calvície de vértice e disfunção erétil, associado, de modo independente, à doença arterial coronariana (DAC), acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e doença vascular periférica.  

O processo fisiopatológico envolve alterações microvasculares e degenerativas do tecido conjuntivo do lóbulo da orelha, refletindo disfunção endotelial sistêmica e aterosclerose, possivelmente por senescência vascular e deposição de colágeno.  

O desempenho diagnóstico do sinal de Frank para DAC, conforme revisão sistemática do Journal of Clinical Medicine publicada em 2021 (13 estudos, englobando cerca de 4.000 pacientes, a maioria submetida à cineangiocoronariografia), varia amplamente: 

  • Sensibilidade: 26-90%;  
  • Especificidade: 32-96%; 
  • Valor preditivo positivo: 43,9%; 
  • Razão de verossimilhança positiva (LH+): 1,11 a 7,03, mas geralmente inferior a 2 (a sua presença aumenta pouco a probabilidade pré-teste);  
  • Razão de verossimilhança negativa (LH-): 0,3 a 0,84, mas geralmente superior a 0,5 (a sua ausência não exclui doença).  

Em um estudo transversal com 124 pacientes internados por AVC agudo em Girona,  avaliou-se a presença do sinal de Frank e a sua relação com subtipos etiopatogênicos. O sinal foi mais prevalente em AVC isquêmico do que no hemorrágico e apresentou distribuição semelhante entre os subtipos isquêmicos, incluindo AVC cardioembólico de fonte indeterminada (ESUS). Houve associação significativa com idade avançada (>70 anos), fatores de risco vasculares tradicionais e maior frequência de placas ateroscleróticas na ultrassonografia carotídea. 

Conclusão e Mensagens Práticas 

  • Na prática clínica, o sinal de Frank, uma vez identificado, reforça a necessidade de abordagem de fatores de risco cardiovascular e triagem para aterosclerose, mas não substitui os métodos diagnósticos e nem pode alterar a conduta de modo isolado. 

Autoria

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Leandro Lima

Editor de Clínica Médica da Afya ⦁ Residência em Clínica Médica (2016) e Gastroenterologia (2018) pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) ⦁ Residência em Endoscopia digestiva pelo HU-UFJF (2019) ⦁ Preceptor do Serviço de Medicina Interna do HU-UFJF (2019) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

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