Um novo exame sanguíneo para identificação da doença de Alzheimer demonstra alta precisão e surge como alternativa menos invasiva aos métodos tradicionais. O teste PrecivityAD2, desenvolvido pela C₂N Diagnostics, utiliza biomarcadores plasmáticos para estimar a probabilidade de acúmulo de amiloide no cérebro, marcador central da fisiopatologia da doença.
Como funciona o teste?
O método combina a dosagem de beta-amiloide quarenta e beta-amiloide quarenta e dois no plasma, além de isoformas da proteína tau fosforilada, como a p-tau duzentos e dezessete. Esses componentes são integrados em um algoritmo estatístico que gera o APS2, escore numérico que expressa a chance de o paciente apresentar depósitos de amiloide detectáveis por tomografia por emissão de pósitrons (PET).
A proposta é simples: permitir que o clínico tenha, ainda na fase inicial da investigação, uma estimativa objetiva da probabilidade de doença de Alzheimer, reduzindo a dependência imediata de exames complexos e de difícil acesso como o PET ou a análise de líquor.
Desempenho clínico e acurácia
O estudo de validação incluiu duas coortes independentes, totalizando quinhentos e oitenta e três indivíduos com queixas cognitivas. Quando comparado ao PET amiloide, o exame apresentou área sob a curva de zero vírgula noventa e quatro e acurácia global de oitenta e oito por cento.
Esses resultados foram consistentes mesmo entre pacientes com comorbidades relevantes, como doença cardiovascular e doença renal crônica. Esse desempenho uniforme é explicado pelo uso de múltiplos biomarcadores combinados, o que reduz interferências fisiológicas que poderiam comprometer a interpretação dos níveis isolados.
Relevância no cenário terapêutico atual
A chegada de terapias modificadoras da doença, como anticorpos monoclonais voltados para a remoção de amiloide, exige identificação precoce de pacientes elegíveis. Nessa etapa, o desafio maior é justamente diferenciar déficits cognitivos iniciais de outras causas comuns, como depressão, distúrbios metabólicos ou comprometimento cognitivo leve não amiloide.
O exame sanguíneo tem potencial para reorganizar esse fluxo. Ele permite que o médico estratifique rapidamente o risco de Alzheimer e direcione quem realmente necessita de confirmação com PET ou análise do líquor. Isso reduz custos, tempo diagnóstico e exposição desnecessária a procedimentos invasivos.
Limitações e uso recomendado
Apesar do avanço, o teste não substitui a avaliação clínica nem elimina a necessidade de métodos confirmatórios em situações específicas. A interpretação deve considerar contexto, sintomas, história e testes cognitivos.
O PrecivityAD2 é indicado para pessoas com cinquenta e cinco anos ou mais, apresentando queixas cognitivas. O exame não deve ser utilizado como ferramenta de rastreamento populacional nem aplicado em indivíduos assintomáticos. Resultados intermediários continuam exigindo complementação diagnóstica.
O que esperar para os próximos anos
A incorporação de biomarcadores plasmáticos ao modelo diagnóstico da demência representa mudança estrutural na condução desses casos. Com tecnologia cada vez mais acessível e desempenho robusto, exames como o PrecivityAD2 tendem a integrar algoritmos clínicos formais, especialmente em locais com menor disponibilidade de PET ou análise de líquor.
Esse movimento acompanha uma tendência global de medicina mais precisa e orientada por biomarcadores, ampliando o acesso ao diagnóstico precoce e possibilitando intervenções alinhadas ao estágio da doença.
Autoria

Bruno Anello Mottini Horlle
Conteudista médico na Afya. Formado em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (2019). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Medicina de Emergência e Clinica Médica.
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