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Clínica Médica19 janeiro 2026

Degradador de receptor androgênico mostra sinal de eficácia na AGA

Estudo de fase 2 avalia o GT20029, nova terapia tópica para alopecia androgenética (AGA), com aumento da densidade capilar e boa segurança.

A alopecia androgenética (AGA) segue com poucas opções farmacológicas aprovadas, e há demanda por terapias com melhor perfil de adesão e tolerabilidade. Nesse cenário, o GT20029 foi investigado como terapia tópica direcionada ao eixo do receptor androgênico.  

O GT20029 é um candidato first-in-class” por ter um mecanismo diferente dos tratamentos clássicos (minoxidil/finasterida): ele busca degradar a proteína do receptor androgênico (AR) no couro cabeludo, em vez de apenas modular via síntese de andrógenos ou vasodilatação.  

Em homens com alopecia androgenética (AGA), o GT20029 (tópico, classe PROTAC) aumentou densidade de fios não-vellus e calibre do fio em 12 semanas, com baixa exposição sistêmica e eventos adversos locais leves.  

  • Desfecho primário (semana 12): ganho em TAHC (contagem de pelos não-vellus na área-alvo) com superioridade vs placebo em dois regimes: 0,5% 1x/dia e 1,0% 2x/semana. 
  • Sinal precoce: 1,0% 2x/semana já se destacou vs placebo na semana 6.   
  • Segurança: exposição sistêmica baixa, sem alteração clinicamente relevante de testosterona; EA mais comum foi prurido local.   
  • Próximo passo: desenvolvimento segue para fase 3 com avaliação de longo prazo e regime ideal.   

O estudo em destaque (fase 2) 

  • Desenho: multicêntrico, randomizado, duplo-cego, placebo-controlado.   
  • População: 180 homens (China), AGA leve a moderada (HamiltonNorwood IIIv–V).   
  • Intervenções: GT20029 0,5% ou 1,0% em 2 esquemas (1x/dia ou 2x/semana) vs placebos correspondentes.   
  • Duração: 12 semanas + 28 dias de seguimento sem tratamento.   
  • Desfecho primário: variação de TAHC na semana 12 (macrofotografia padronizada).  

Veja também: Eficácia e segurança a longo prazo de dutasterida versus finasterida em pacientes com alopecia androgênica masculina 

Desfechos e resultados (o que importa na prática) 

1) Densidade/contagem de fios (TAHC) 

  • Superioridade vs placebo na semana 12 para:[Quebra da Disposição de Texto] 
  • 0,5% 1x/dia: +16,80 vs +10,10 fios/cm² (p = 0,032)   
  • 1,0% 2x/semana: +11,94 vs +4,57 fios/cm² (p = 0,023)   

2) Efeito mais rápido (semana 6) 

  • 1,0% 2x/semana: melhora de TAHC maior vs placebo (p = 0,030).   

3) Calibre do fio (TAHW) 

  • 1,0% 2x/semana: ganho significativo vs placebo na semana 12 (0,54 vs −0,02 mm/cm², p = 0,011).   

Segurança e tolerabilidade 

  • Exposição sistêmica baixa e variável, sem evidência de acúmulo proporcional à dose e sem mudança clinicamente relevante de testosterona sérica.   
  • Eventos adversos geralmente leves e locais; mais comum: prurido (7,3%).   
  • Sem eventos adversos graves relacionados e sem descontinuações nos grupos GT20029.   

Para o consultório: 

  • O GT20029 ainda é investigacional; este estudo sugere potencial como terapia tópica antiandrogênica de nova geração, mas não substitui tratamentos padrão até dados de fase 3 (especialmente manutenção e segurança em longo prazo).   
  • A própria matéria reforça que, do ponto de vista regulatório nos EUA, os fármacos aprovados seguem sendo minoxidil tópico e finasterida oral (homens).   

Limitações 

  • Tempo curto (12 semanas) e amostra moderada: não respondem plenamente sobre manutenção do ganho, melhor regime e desempenho frente a terapias padrão.    

Tabela comparativa — tratamentos atuais para alopecia androgenética (calvície) com base em revisões e meta-análises recentes.  

 

Opção 

Para quem 

Status 

Evidência 

O que costuma melhorar 

Limitações / eventos adversos mais relevantes 

Minoxidil tópico (2-5%) 

Homens e mulheres 

Aprovado (EUA) para alopecia padrão 

Alta 

Densidade e espessura. Reduz efluvio após fase inicial 

Dermatite/irritação; shedding inicial; exige uso contínuo 

Finasterida oral 1 mg/dia 

Homens 

Aprovado (EUA) para AGA em homens 

Alta 

Estabiliza e melhora densidade (principalmente vertex) 

Disfunção sexual em parcela dos pacientes; contraindicado na gestação (risco teratogênico) 

Dutasterida oral 

Homens (e casos selecionados) 

Aprovado para AGA em alguns paises (ex.: Coreia/Japão); off-label em outros 

Alta-moderada 

Pode ter resposta robusta em não respondedores à finasterida 

Meia-vida longa; efeitos adversos semelhantes/maiores potenciais; evitar em gestação 

Minoxidil oral em baixa dose 

Homens e mulheres (selecionado) 

Off-label 

Moderada 

Alternativa quando tópicos falham/aderência ruim 

Hipertricose, edema, taquicardia/hipotensão em suscetíveis; requer seleção e seguimento 

Antiandrogênicos em mulheres (ex.: espironolactona) 

Mulheres (sobretudo com hiperandrogenismo) 

Off-label 

Moderada 

Reduz progressão e pode melhorar densidade 

Monitorização (PA, potássio conforme perfil); contraindicações na gestação 

Microagulhamento + minoxidil 

Homens e mulheres 

Procedimento adjuvante 

Moderada (benefício em combinação)  

Pode potencializar ganho de densidade 

Variabilidade de protocolos; dor/eritema; depende de execução e manutenção 

PRP (plasma rico em plaquetas) 

Homens e mulheres 

Procedimento adjuvante 

Moderada (heterogeneidade) 

Melhora densidade em curto prazo (3-6 meses em estudos) 

Alto grau de variação  (preparo, número de sessões); custo; resultados variáveis 

LLLT (laser/luz de baixa intensidade) 

Homens e mulheres 

Dispositivo adjuvante (varia por pais) 

Baixa-moderada 

Pode melhorar densidade em alguns pacientes 

Adesão diária/semana; resposta heterogênea; difícil comparar dispositivos 

Transplante capilar (FUE/FUT) 

Principalmente homens; mulheres selecionadas 

Procedimento 

Alta para redistribuição de cobertura 

Aumento de cobertura em areas rareadas 

Não cura a doença (precisa controle Clínico); depende de area doadora e expectativa realista 

GT20029 tópico (PROTAC) 

Homens (dados atuais) 

Investigacional 

Inicial (fase 2) 

Sinal de melhora de densidade e calibre em 12 semanas 

Falta longo prazo/fase 3; não disponível como terapia aprovada 

 

Autoria

Foto de Daniela Cristina Cardoso Lima Estrella

Daniela Cristina Cardoso Lima Estrella

Possui graduação em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (2019). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica, Dermatologia Sanitária e Cirúrgica e Medicina de Emergência.

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Referências bibliográficas

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