Logotipo Afya
Anúncio
Clínica Médica16 abril 2026

ACP 2026: Novos medicamentos na atenção primária - o que realmente muda na prática

Veja os novos medicamentos para atenção primária e como aplicá-los na prática clínica.

A sessão New Meds in Primary Care, apresentada no ACP Internal Medicine Meeting 2026, destacou fármacos com potencial de impacto direto na rotina do clínico, com foco em eficácia, segurança e aplicabilidade no consultório.

A maior parte dos novos medicamentos aprovados pelo FDA nos últimos anos tem sido direcionada a subespecialidades, com impacto mais limitado na atenção primária. Ainda assim, 2025 trouxe um número incomum de fármacos potencialmente relevantes para clínicos gerais, ampliando as opções terapêuticas em cenários frequentes da prática diária.

Tradipitant: nova opção para cinetose

O tradipitant é um antagonista do receptor NK1 que atua em vias centrais relacionadas ao vômito. Trata-se da primeira inovação realmente relevante em décadas para o manejo da cinetose.

Ensaios clínicos demonstraram redução significativa de vômitos, especialmente em situações de maior estímulo vestibular, com perfil de segurança favorável. Os efeitos adversos mais comuns incluem cefaleia e sonolência, sem eventos graves associados.

Na prática, o medicamento pode ser considerado em pacientes com falha terapêutica ou intolerância às opções tradicionais, como meclizina ou escopolamina. Pelo custo, no entanto, a tendência é que ocupe posição de segunda linha.

Suzetrigine: analgésico não opioide de nova classe

O suzetrigine é um bloqueador seletivo do canal de sódio Nav1.8, com ação na transmissão periférica da dor. É a primeira nova classe de analgésicos não opioides em décadas.

Em estudos de fase 3, mostrou eficácia comparável à dos opioides no controle da dor pós-operatória, com perfil de segurança favorável e menor incidência de efeitos adversos típicos dessa classe.

Seu principal papel clínico parece ser como alternativa para pacientes com contraindicação ao uso de opioides ou maior risco associado a esses fármacos, especialmente em quadros de dor aguda de curta duração. A ausência de dados para uso prolongado e o custo ainda são limitações importantes.

Gepotidacin: nova opção para infecções resistentes

O gepotidacin é um antibiótico com mecanismo de ação diferente do das fluoroquinolonas, sem resistência cruzada significativa.

Ensaios clínicos demonstraram eficácia semelhante à da nitrofurantoína no tratamento da infecção urinária não complicada, com potencial vantagem diante de organismos resistentes.

Os efeitos adversos observados foram predominantemente gastrointestinais. Na prática, o alto custo e a necessidade de preservar sua eficácia frente à resistência bacteriana fazem com que seu uso deva ser reservado para pacientes com contraindicação ou falha às terapias de primeira linha.

Remibrutinib: nova opção oral para urticária crônica

O remibrutinib é um inibidor seletivo da tirosina quinase de Bruton, reduzindo a ativação de mastócitos e a liberação de histamina.

Ensaios clínicos demonstraram redução significativa da atividade da urticária, com início de ação rápido e manutenção do efeito ao longo do tempo. Uma parcela relevante dos pacientes alcança controle completo dos sintomas.

O perfil de segurança é considerado favorável, com eventos leves como petéquias e sangramento mucoso. Na prática, representa uma alternativa oral eficaz para pacientes refratários a anti-histamínicos, podendo inclusive reduzir a necessidade de terapias biológicas.

Impacto na prática

Esses novos medicamentos ampliam o arsenal terapêutico da atenção primária, principalmente em situações de falha terapêutica ou contraindicação às opções já consolidadas.

Na prática, porém, sua incorporação deve ser seletiva. O custo elevado e a necessidade de uso racional fazem com que, na maioria dos casos, esses fármacos ocupem espaço como segunda ou terceira linha, sem substituir as terapias tradicionais.

Para quem se aplica

Os achados são diretamente aplicáveis a médicos da atenção primária, clínicos gerais e internistas, especialmente no manejo de dor aguda, infecções urinárias, cinetose e urticária crônica refratária.

Limitações

Os estudos disponíveis incluem populações selecionadas e têm seguimento ainda limitado. Além disso, dados de custo-efetividade e impacto em longo prazo seguem escassos.

Próximos passos

A incorporação desses medicamentos dependerá de maior experiência em vida real, melhor definição de custo e posicionamento mais claro nas diretrizes clínicas. Estudos futuros devem esclarecer com mais precisão seu papel em comparação com as terapias já existentes.

Autoria

Foto de Bruno Anello Mottini Horlle

Bruno Anello Mottini Horlle

Possui graduação em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (2019). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Medicina de Emergência, e Clinica Médica.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Clínica Médica