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É muito provável que todo paciente com acompanhamento médico devido à doença cardiovascular já tenha ouvido sobre a famosa cirurgia de ponte de safena. Você conhece os principais enxertos utilizados na cirurgia de revascularização do miocárdio (CRVM)?
A CRVM é o suprassumo da cirurgia cardíaca, um dos procedimentos mais essenciais da especialidade e realizado pela grande maioria dos cirurgiões atuantes. Em estudo há cerca de 60 anos, e em vigor com sucesso há cerca de 40, utiliza autoenxertos para transposição das obstruções coronarianas em pacientes com indicações bem estabelecidas, principalmente multiarteriais e/ou com lesões graves. Existem diversas possibilidades para estes autoenxertos, sendo a indicação individualizada para o tipo e topografia da lesão e condições clínicas do paciente.
- Artéria Mamária Interna Esquerda (MIE):
O enxerto mais amplamente utilizado para obstruções importantes e o que confere maior durabilidade e patência ao longo do tempo. Estudos demonstram MIE livre e com bom fluxo em cerca de 90% em até 10 anos. Por que tamanha durabilidade? O endotélio da mamária apresenta a propriedade diferenciada da secreção de substâncias vasodilatadoras, como o óxido nítrico, que contribui importantemente para a manutenção do conduto pérvio. Além disso, é um enxerto com camada muscular mais delgada, ou seja, consequentemente com menor risco de vasoespasmo e desenvolvimento de aterosclerose. É o enxerto preferencial para lesões coronarianas esquerdas, principalmente para a Artéria Descendente Anterior (DA).
- Safena:
Enxerto que dá o nome popular à cirurgia, e o responsável pelo desenvolvimento da CRVM, é o segundo mais utilizado e o de mais prática obtenção – fator que o coloca também como opção em cirurgias de urgência. Uma safena completa permite a construção de diversas pontes, fator também positivo. Porém, a desvantagem do enxerto de safena é vista a longo prazo: em 10 anos, cerca de 50-75% sofrem estenose ou algum tipo de comprometimento. Por isso, a safena é um enxerto bom e prático, mas para lesões de artérias menos críticas, por exemplo, ramos da coronária direita ou ramos marginais da artéria circunflexa.
- Radial:
Uma outra opção arterial, porém um pouco menos utilizada. Os enxertos de radial são alternativas para obstruções moderadas a graves, > 70%. Esta indicação é bem justificada devido à radial ser uma artéria de parede mais fina e mais muscular, ou seja, mais susceptível a espasmos e à competição de fluxo, com maior tendência a estenose. Atenção! A radial não deve ser utilizada caso o teste de Allen mostre mau suprimento sanguíneo via artéria ulnar.
- Gastroepiploica direita:
Raramente utilizados, com maior dificuldade técnica e ausência de evidências que suportem superioridade em relação aos demais. Opção também para ramos menos importantes e com obstruções mais graves, suboclusivas (>90%).
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