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Cirurgia19 janeiro 2022

Qual o tempo ideal para uma cirurgia eletiva após a infecção pela Covid-19?

Com a Ômicron, reacende a discussão de quanto tempo devemos aguardar para fazer uma cirurgia eletiva após a infecção por Covid-19.

Por Felipe Victer

Após as primeiras ondas de Covid, todos estavam esperançosos que a pandemia estaria perto de um final. No entanto, no quarto trimestre de 2021 foi descoberta a variante Ômicron e, concomitante, um número avassalador de casos foram sendo diagnosticados em diferentes países.

Assim como nas outras ondas, aqui no Brasil podemos acompanhar e até mesmo prever o que estaria por vir, uma vez que, apesar das peculiaridades brasileiras, o padrão foi sempre semelhante ao que aconteceu na Europa e nos EUA. Na variante Ômicron não está sendo diferente. Inicialmente, ao ser descoberta na África do Sul alguns até postularam que no Brasil já teria ocorrido o surto desta variante, no entanto não foi detectada.

Infelizmente, esta teoria está longe de ser correta e o que detectamos hoje são incontáveis pacientes com teste positivo para Covid. O marcante desta nova variante é sua menor virulência com um predomínio de casos leves e até mesmo assintomáticos.

Leia também: Vacinas permanecem eficazes contra a Ômicron: as evidências até aqui

Isto levou a um aumento de detecção de casos diagnosticados de forma assintomática, principalmente em pacientes que seriam submetidos a tratamento cirúrgico eletivo. Um teste positivo pré-operatório obriga a suspensão do procedimento, já que a realização de procedimento cirúrgico logo após uma infecção por Covid-19 aumenta o número de complicações e óbitos.

Qual o tempo ideal para uma cirurgia eletiva após a infecção pela Covid-19?

Ômicron e cirurgias eletivas

Com a Ômicron, reacende a discussão se realmente devemos aguardar o tempo originalmente proposto ou se podemos encurtar esta espera e realizar o procedimento operatório. Apesar da ansiedade do paciente, os procedimentos eletivos devem ser realizados em uma condição clínica ideal do paciente. Caso se torne imperativo a realização do procedimento, este deixa de ser eletivo e se torna urgência/emergência e assim deve ser tratado como tal. Apesar deste apelo pela menor virulência, não existe nenhuma recomendação para que se encurte o tempo de espera entre o diagnóstico de Covid e a realização da cirurgia.

A Sociedade Brasileira de Anestesia (SBA) emitiu uma carta em conjunto com a Sociedade Americana de Anestesia (ASA), em 2021, que devido ao aumento de complicações até quatro semanas após a detecção do SARS-COV-2, os procedimentos devem ser adiados por pelo menos esse período. No entanto, pacientes com quadro mais grave ou portadores de doenças crônicas o período de espera pode chegar até três meses. De forma objetiva e prática a carta fez as seguintes recomendações:

  • 4 semanas para um paciente assintomático ou após recuperação de sintomas leves, não respiratórios;
  • 6 semanas para um paciente sintomático (ex.: tosse, dispneia) que não necessitou de internação;
  • 8 a 10 semanas para um paciente sintomático que é diabético, está imunocomprometido ou hospitalizado;
  • 12 semanas para um paciente que deu entrada na UTI devido à Covid-19.

Para levar para casa

Mesmo com a Ômicron, não existe nenhuma nova recomendação para diminuição do tempo de espera para a realização de procedimentos cirúrgicos eletivos. O bom senso deve prevalecer! Aguardar o período recomendado é fundamental para prevenir desgastes e complicações desnecessárias.

Veja também: Vacinação contra Covid-19 e desfechos pós-operatórios

Referências bibliográficas:

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