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Cirurgia2 março 2025

Plantão de Carnaval: Lesão intra-abdominal com “sinal do cinto de segurança”

Meta-análise a prevalência de lesões intra-abdominais e necessidade de intervenções cirúrgicas associadas ao sinal do cinto de segurança
Por Jader Ricco

Os acidentes automobilísticos estão entre as principais causas de morte em todo mundo. O cinto de segurança tem um papel relevante na redução das lesões críticas e mortalidade nesses acidentes, estimada em 45-50% dos casos. Entretanto, as desacelerações bruscas nos acidentes podem causar lesões em órgãos intra-abdominais.  

Hematomas, lesões abrasivas e eritemas nas áreas de contato do corpo com o cinto de segurança, conhecidos como sinal do cinto de segurança, podem indicar lesões de vísceras abdominais e, menos frequentemente, lesões vasculares graves. A associação do sinal do cinto com lesões intra-abdominais implica em investigações com exames de imagem, observação e tomadas de decisões cirúrgicas.  

lesão

Métodos 

Uma meta-análise americana publicada em 2024 avaliou 10 estudos observacionais direcionados para a prevalência de lesões intra-abdominais e necessidade de intervenções cirúrgicas associadas ao sinal do cinto de segurança. O artigo americano envolveu 3050 pacientes. A maioria dos artigos avaliados usou tomografia computadorizada (TC) para diagnóstico das lesões. 

Resultados e Discussão 

O levantamento realizado por Pourmand et al. identificou que, dentre os 3050 pacientes, 1937 (63,5%) apresentaram sinal do cinto de segurança positivo e, dentre esses, 909 (46,9%) apresentaram lesões intra-abdominais. 1113 (36,5%) não apresentaram sinal do cinto de segurança e 102 (19,2%) foram diagnosticados com lesões abdominais. Apesar de não citada em todos os artigos analisados, a idade média dos pacientes ficou entre 26-45 anos. 

O resultado primário foi a prevalência das lesões abdominais em pacientes com sinal do cinto de segurança e revelou uma prevalência de 42% (IC 95% 28%–58%) de lesões nesses pacientes, indicando um risco de até 4 vezes maior de lesões abdominais em pacientes com sinal do cinto de segurança quando comparados a pacientes que não apresentaram essa marca.  

Esses achados indicam que pacientes com sinal do cinto necessitam de uma avaliação clínica criteriosa e realização de exames de imagem. A TC com cortes finos é um exame muito bem aplicável no diagnóstico de lesões abdominais nessas situações. 

A necessidade de intervenção cirúrgica foi o desfecho secundário e foi mais prevalente no grupo de pacientes com sinal do cinto (12,8% vs 4,2%). Estudos mais antigos encontram taxas maiores de intervenção cirúrgica e a redução desses números pode ser associada à melhora da qualidade dos exames de imagem e redução da realização de lavado peritoneal diagnóstico. 

Mecanismos estão sendo desenvolvidos para redução da desaceleração brusca e as lesões por cinto de segurança nos acidentes automobilísticos, como os pré-tensionadores e limitadores de carga.  

Pourmand et al. chamam a atenção para a grande heterogenecidade da meta-análise que, em grande parte, se justifica pelo longo período de tempo que o estudo abrangeu. Outra possibilidade levantada para justificar a heterogeneidade podem ser os diferentes métodos diagnósticos usados para identificar as lesões intra-abdominais. 

Conclusões 

A presença do sinal do cinto de segurança está associada ao maior risco de lesões intra-abdominais e à necessidade de intervenção cirúrgica. Apesar da heterogeneidade identificada na meta-análise, a presença do sinal do cinto, em hipótese alguma, despensa a investigação criteriosa com exames clínicos e de imagem. Não menos importante, o papel do cinto de segurança na redução da mortalidade associada a acidentes automobilísticos é inquestionável e, em nenhum momento, a sua utilidade foi questionada. 

 

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Referências bibliográficas

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