Fraturas de costelas e esterno estão presentes em cerca de 10 a 20% dos pacientes vítimas de trauma. As fraturas de costelas variam de pequenas lesões ao tórax instável, representado pela fratura de dois ou mais arcos costais contínuos e em dois ou mais lugares em cada costela. O tratamento é amplo e pode variar desde uso de analgésicos a estabilizações cirúrgicas
Devido à escassez de estudos e padronização em relação ao acompanhamento para identificar complicações potencialmente modificáveis dessas lesões, a Chest Wall Injury Society (CWIS) publicou recentemente diretrizes para acompanhamento a longo prazo após fraturas de costela e esterno para pacientes submetidos a tratamento cirúrgico e manejo clínico.
O estudo da CWIS
O estudo da CWIS foi baseado em revisões da literatura em busca de respostas para duas perguntas aplicadas a pacientes adultos com fraturas de costelas e esterno.
A primeira pergunta foi em relação ao tempo e a frequência de acompanhamento necessária em pacientes vítimas de fratura de costelas ou esterno para se identificar e tratar sequelas das lesões após alta nos pacientes que não foram submetidos a tratamento cirúrgico.
A segunda pergunta foi semelhante à primeira, porém aplicada a pacientes submetidos à estabilização cirúrgica. Após seleção, foram definidos 27 artigos para análise, sendo 7 estudos para a pergunta 1 e 21 para pergunta 2.
Recomendações da CWIS
O levantamento feito pela CWIS sugere que, mesmo considerando as evidências de qualidade inferior, a maior parte das complicações passíveis de identificação e tratamento pós-alta nos casos de pacientes submetidos a tratamento não cirúrgico para fraturas de costelas e esterno acontecem no primeiro mês após a alta hospitalar. Portanto, a recomendação da CWIS nesses casos é de acompanhamento por, no mínimo 1 mês após a alta.
Nos pacientes com fratura de costelas e esterno que foram submetidos a estabilização cirúrgica, as recomendações da CWIS para acompanhamento é de, pelo menos, 3 meses, com possibilidade de novas avaliações programadas quando necessários. A qualidade das evidências também foi classificada como baixa. A recomendação baseou-se na observação que, a maioria das complicações potencialmente modificáveis nos pacientes com fratura de costelas e esterno submetidos à estabilização cirúrgica ocorrem no primeiro ano pós alta hospitalar, principalmente nos três primeiros meses.
Considerações
O objetivo das CWIS foi determinar um período de segurança em que lesões potencialmente modificáveis em pacientes vítimas de traumatismo torácico com fratura de costelas e esterno pudessem ser identificadas e tratadas após alta hospitalar.
Apesar das evidências terem sido classificadas como baixa, a recomendação de uma autoridade na área como a CWIS ajuda a direcionar o seguimento desses pacientes. O período mínimo de acompanhamento a longo prazo variou entre os pacientes com apenas manejo clínico e os que precisaram de intervenção cirúrgica.
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