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Cirurgia18 outubro 2022

ACSCC 2022: Neoadjuvância aumenta sobrevida de pacientes com neoplasias pancreáticas e gástricas?

Em uma aula, a Dra. Susan Tsai exemplificou o benefício desse tratamento em relação à própria adjuvância em tumores pancreáticos. 

Por Felipe Victer

De maneira tradicional, as neoplasias gástricas e pancreáticas são tratadas com a cirurgia e seguidas ao tratamento adjuvante. No entanto, a sobrevida desses pacientes, especialmente com neoplasias pancreáticas, era muito abaixo da desejada e, em algumas séries, chegava perto da sobrevida de pacientes já em estágio de metástase. Alguns estudos com resultados promissores de uso da neoadjuvância apontam para qual seria a melhor estratégia. 

Durante o congresso da American College of Surgeons (ACSCC 2022), uma aula da Dra. Susan Tsai exemplificou o benefício desse tratamento em relação à própria adjuvância em tumores pancreáticos. 

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Pacientes com câncer avançado

O uso da neoadjuvância pode ser especialmente útil naqueles pacientes que já apresentam doença mais avançada, mas cujos exames de imagem não conseguem detectá-la. Na palestra, ela ainda ressalta que, pelos guidelines da NCCN, pacientes com tumores borderline são indicados à realização de neoadjuvância, mas acredita que isso deve ser expandido até os pacientes com doença ressecável. 

Segundo ela, o benefício do uso da neoadjuvância já está sendo visto em alguns centros. Interessante notar que a definição de resposta à neoadjuvância nos tumores de pâncreas não pode ser avaliada por imagem. E o importante é a queda dos valores de CA 19,9 em, pelo menos, 40%. 

E o câncer gástrico? 

Em relação ao câncer gástrico, uma aula do Dr. John T. Mullen analisou separadamente o uso da neoadjuvância em tumor de cárdia e do estômago. Como a maioria dos pacientes já se apresenta com tumores localmente avançados e até com linfonodos positivos, a neoadjuvância passa a ter um importante significado. 

Quando o assunto são os tumores da cárdia, as condutas diferem um pouco do restante do estômago. Na aula do Dr. Naruhiko Ikoma, ele explicou os benefícios do uso da radioterapia na abordagem multimodal para o tratamento do câncer. Como demonstrado pelos outros participantes da mesma mesa, a neoadjuvância tem se tornado uma rotina nos tumores do cárdia. O uso de radioterapia não prejudica o desfecho operatório imediato e diversos ensaios clínicos estão em andamento para avaliar o desfecho a longo prazo. 

O benefício da neoadjuvância vai além da maior taxa de ressecções R0 e potencial tratamento de micrometástase. Muitos pacientes que realizam a cirurgia primária não recebem o complemento da adjuvância, seja por complicações clínicas ou até por negativa dos pacientes. Assim, o paciente acaba não recebendo um tratamento multimodal e apresenta uma queda da sobrevida. A nova discussão que ainda está em fase de estudos é se esses pacientes terão algum benefício com a realização de terapia neoadjuvante total. 

Qualidade de vida pós-cirúrgica 

Para terminar, foi realizada uma discussão pelo D. Yinin Hhu sobre a qualidade de vida dos pacientes que são submetidos ao tratamento multimodal. Mesmo as drogas utilizadas poderem apresentar quadros de diarreia, náuseas e fadiga muscular, os pacientes retornaram ao seu nível basal seis meses após a cirurgia.    

Para levar para casa 

Realmente está ocorrendo uma grande mudança de conduta, com as quimioterapias sendo realizadas antes do tratamento operatório, em tumores gastrointestinais altos. Alguns protocolos chegando a realizar terapia neoadjuvante total. Apesar da ansiedade do cirurgião querer operar logo o paciente, iniciar o tratamento com neoadjuvância pode ser mais interessante. 

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