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Carreira16 junho 2026

Veja quais abordagens pediátricas o interno deve dominar antes do primeiro plantão

Abordagens pediátricas essenciais ajudam internos a reconhecer quadros frequentes, iniciar condutas e decidir encaminhamentos com segurança

O domínio das abordagens pediátricas é um dos maiores desafios na transição da rotina de interno para a de médico. O esperado é que o recém-formado conclua a graduação em medicina com habilidades compatíveis com as responsabilidades do primeiro ano de prática profissional. Na realidade, porém, sabemos que, ao finalizar o internato, muitas inseguranças permanecem, especialmente no manejo de situações comuns do dia a dia, em procedimentos práticos e nas condutas iniciais.

Na pediatria, essa insegurança pesa ainda mais, porque crianças não são adultos pequenos. Elas apresentam diferenças anatômicas, fisiológicas e psicossociais que modificam a avaliação clínica e as decisões médicas. Apesar dessas especificidades, frequentemente precisamos atendê-las como generalistas nos primeiros anos após a formação.

Remick et al. (2026) relatam que mais de 80% das crianças levadas ao atendimento de emergência são atendidas em serviços médicos gerais, e não em centros pediátricos especializados. Embora esse dado represente uma realidade norte-americana, ele não está distante da realidade brasileira.

Isso reforça a importância de o interno, que em breve atuará como médico generalista, estar preparado para reconhecer e iniciar o manejo das situações pediátricas mais frequentes, compreender as especificidades fisiológicas da criança e saber quando e como encaminhar.

A seguir, estão algumas abordagens pediátricas que o estudante deve reconhecer e conduzir com segurança nos primeiros plantões ou nas enfermarias.

Condições pediátricas mais frequentes por faixa etária

Menores de 1 ano

Em neonatos e lactentes, as situações mais frequentes incluem febre sem foco, infecções respiratórias, como bronquiolite e pneumonia, gastroenterite e convulsões febris. Também é necessário manter atenção para cardiopatias congênitas quando houver queixa cianótica ou sopro.

Crianças de 1 a 4 anos

Nessa faixa etária, são comuns infecções respiratórias, gastroenterite, traumas menores, intoxicações acidentais e exantemas.

Crianças de 5 a 9 anos

Entre 5 e 9 anos, o interno deve estar preparado para reconhecer e conduzir casos de asma, pneumonia, dor abdominal aguda, traumas, como fraturas e contusões, e alguns distúrbios neurológicos.

Maiores de 10 anos

Em crianças maiores e adolescentes, ganham relevância os traumas mais graves, apendicite, patologias crônicas, como asma e diabetes, e condições psiquiátricas emergentes, como ansiedade, depressão e agitação.

Criança com febre

A febre é uma das apresentações mais comuns na prática pediátrica. O ponto principal, nesses casos, é avaliar o risco, não apenas medir a temperatura.

Ao final do estágio em pediatria, o interno deve ser capaz de:

  • Avaliar o estado geral, incluindo bradicardia ou taquicardia, perfusão e responsividade.
  • Diferenciar febre sem sinais de alarme de situações que exigem investigação imediata.
  • Decidir sobre investigação, incluindo hemograma, PCR, urina e hemoculturas.
  • Avaliar início de antibiótico empírico e necessidade de encaminhamento.

Dificuldade respiratória em pediatria

Remick et al. (2026) destacam a importância da preparação técnica adequada ao fim da formação, considerando as diferenças fisiológicas entre crianças e adultos, que tornam a avaliação respiratória pediátrica particularmente específica.

No atendimento pediátrico, o interno deve observar tiragens, gemência, batimento de asa nasal, uso de musculatura acessória, saturação e padrão respiratório.

Também deve ser capaz de:

  • Reconhecer casos de insuficiência respiratória aguda, incluindo disfunção respiratória progressiva, cianose ou palidez, crepitações, agitação, taquicardia e evolução para hipoxemia grave.
  • Organizar o raciocínio sindrômico em padrão restritivo ou obstrutivo.
  • Conhecer as condutas iniciais em bronquiolite, asma e pneumonia.
  • Avaliar critérios de gravidade, priorizando avaliação, estabilização imediata e necessidade de transferência.

Vômitos, diarreia e desidratação

Além do manejo do vômito e da diarreia, o interno deve saber avaliar os sinais clínicos e classificar o grau de desidratação como leve, moderado ou grave.

Os sinais de desidratação incluem alteração do nível de consciência, olhos fundos e secos, ausência de lágrimas, mucosa oral seca, sede excessiva ou incapacidade de beber, sinal da prega lentificado, pulso fraco, rápido ou ausente e redução da diurese.

Também deve ser capaz de:

  • Indicar corretamente a terapia de reidratação oral.
  • Reconhecer casos de choque hipovolêmico.
  • Saber os critérios para hidratação venosa.

Dor abdominal e abdome agudo pediátrico

A dor abdominal é um sintoma comum na pediatria, mas tem diagnóstico diferencial amplo. Já o abdome agudo em crianças é uma emergência caracterizada por histórico de dor súbita e intensa, frequentemente associada a sinais de acometimento de órgãos abdominais, como vômitos ou parada de eliminação de gases e fezes.

Nesses casos, o interno deve ter habilidade para:

  • Diferenciar dor funcional de sinais de abdome agudo.
  • Reconhecer sinais de irritação peritoneal, como redução importante do peristaltismo, tensão aumentada da parede abdominal, dor provocada por manobras, dor à descompressão brusca ou à percussão, entre outros.
  • Considerar diagnósticos cirúrgicos e avaliar necessidade de encaminhamento imediato.

Crescimento, desenvolvimento e puericultura

Nem todas as competências em pediatria estão ligadas à emergência. Uther et al. (2016) mostraram que apenas 11% dos estudantes relataram ter visto consulta de puericultura e apenas 21% observaram casos de puberdade anormal durante os estágios de pediatria no internato.

Por isso, é importante que o interno tenha alguma experiência prática durante a formação com:

  • Avaliação de curvas de crescimento.
  • Reconhecimento de atrasos no desenvolvimento, como dificuldades na fala, desordens na esfera social-emocional, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, dificuldades de aprendizagem e dificuldades intelectuais, entre outros.
  • Identificação de sinais de puberdade precoce ou tardia.

Trauma pediátrico e situações críticas

Mesmo que o hospital não seja especializado, grande parte das crianças será atendida inicialmente em serviços médicos gerais. Por isso, o interno também deve saber:

  • Aplicar princípios de estabilização inicial, seguindo o protocolo XABCDE para estabilização das funções vitais.
  • Reconhecer sinais de trauma grave, como alterações no nível de consciência no momento do trauma, perda de sangue visível ou dor intensa, dificuldade respiratória ou sinais de comprometimento neurológico.

#Texto otimizado com o auxílio de IA e revisado pela equipe do Portal Afya.

Autoria

Foto de Juliana Karpinski

Juliana Karpinski

Editora-assistente médica na Afya. Médica e Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em Gestão Estratégica pela mesma instituição (2022).

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